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Estado acumula mais de 21 mil novos empregos formais em 2026 e varejo registra crescimento acima da média nacional antes da Black Friday e do Natal

O comércio capixaba entra na reta final de 2026 com expectativa de reforço nas equipes e indicadores que apontam para um ambiente favorável às vendas de Black Friday e Natal.
A estimativa mais recente da Fecomércio-ES é de abertura de cerca de 5 mil vagas temporárias no Espírito Santo, sendo aproximadamente 2,5 mil no comércio e outras 2,5 mil no setor de serviços. No varejo, as contratações devem se intensificar entre a segunda quinzena de outubro e novembro.
A projeção local acompanha um movimento observado no país. Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, em parceria com a OfferWise, estima aproximadamente 130 mil vagas temporárias e efetivas no comércio e nos serviços brasileiros para o fim de 2026, 12 mil a mais do que no ano passado. Entre as empresas ouvidas, 26% pretendem aumentar suas equipes e metade das que vão contratar prevê vagas temporárias.
Os dados mais recentes do mercado de trabalho capixaba também ajudam a dimensionar o cenário. Divulgado no fim de setembro, o Novo Caged mostra que o Espírito Santo acumula 21.403 novos empregos com carteira assinada entre janeiro e agosto de 2026.
Em agosto, o Estado registrou fechamento líquido de 287 postos, movimento relacionado principalmente ao encerramento das contratações sazonais da safra do café. Ainda assim, o saldo do ano permanece amplamente positivo.
O mercado de trabalho já vinha apresentando outros indicadores favoráveis. No segundo trimestre, a taxa de desemprego do Espírito Santo caiu para 2,3%, menor nível da série histórica iniciada em 2012.
O Estado passou a ter a menor taxa de desocupação do Sudeste e a terceira menor do país. No primeiro semestre, foram criados 24.177 empregos formais, e o comércio concentrava 25,2% dos vínculos formais existentes no Estado.
Para o presidente da CDL Vitória, Rogério Alcantara, o conjunto de indicadores reforça a importância de o empresário chegar preparado ao período mais importante do calendário do varejo.
“Temos um mercado de trabalho aquecido, expectativa de novas contratações e datas muito relevantes pela frente, como Black Friday e Natal. É um cenário que abre oportunidades, mas que também exige planejamento, atenção ao consumidor e estratégias para transformar esse movimento em vendas”, afirma o presidente da entidade.
No comércio, o dado mais recente disponível do IBGE é referente a julho e também aponta desempenho positivo no Espírito Santo. O varejo capixaba cresceu 8,5% em relação a julho de 2025, maior avanço entre os estados brasileiros nessa comparação, e teve alta de 3% frente a junho. O volume de vendas foi o maior já registrado no Estado para um mês de julho desde o início da série histórica, em 2005.
O desempenho ganha relevância diante do cenário nacional. Enquanto o Espírito Santo avançou 3% entre junho e julho, o varejo brasileiro recuou 0,8% no período. No acumulado entre janeiro e julho, o varejo ampliado capixaba registrou crescimento de 5,6% na comparação com o mesmo período de 2025; em 12 meses, a alta chegou a 4,1%.
“O resultado mostra a força do comércio capixaba e a capacidade do setor de responder mesmo em um ambiente econômico que ainda apresenta desafios. Agora entramos em meses decisivos. O consumidor estará atento a preço, condições de pagamento, atendimento e conveniência, e o lojista precisa estar preparado para essa combinação”, destaca Rogério.
Se emprego e vendas trazem sinais positivos, o orçamento das famílias ainda exige atenção. Em agosto, a busca dos brasileiros por crédito cresceu 57,17% em relação ao mesmo mês de 2025. Entre os consumidores consultados, 38,59% apresentavam alguma restrição ativa. Entre aqueles que contrataram crédito, 79,26% recorreram a empréstimos, enquanto 15,62% contrataram financiamentos.
A reincidência na inadimplência também permanece elevada. Em agosto, 86,72% dos consumidores negativados já haviam aparecido nos cadastros de inadimplentes nos 12 meses anteriores. Ao mesmo tempo, houve crescimento de 7,22% no número de consumidores que conseguiram deixar as listas de negativados no acumulado de 12 meses, mostrando uma recuperação ainda gradual da capacidade financeira das famílias.
Para a CDL Vitória, o cenário combina oportunidades e cautela. A geração de empregos, a expectativa de contratações e o crescimento recente do comércio capixaba formam uma base positiva para o último trimestre, enquanto endividamento, acesso ao crédito e comportamento mais criterioso do consumidor exigem atenção dos empresários.
“É um momento para olhar os indicadores com equilíbrio. Temos razões para chegar confiantes ao fim do ano, mas vender mais passa por compreender um consumidor que pesquisa, compara e valoriza cada vez mais boas condições e uma boa experiência de compra”, conclui Rogério Alcantara.
Fontes: IBGE/Pesquisa Mensal de Comércio; Novo Caged/Ministério do Trabalho e Emprego; Observatório Findes; Fecomércio-ES; CNDL; SPC Brasil; OfferWise