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Balanço do Comércio Capixaba #15

Recorde de novos negócios, crescimento anual do emprego no setor e avanço do comércio exterior reforçam o dinamismo da economia capixaba em 2026

O comércio capixaba chega ao segundo semestre de 2026 sustentado por indicadores positivos de empreendedorismo, emprego e atividade econômica. Entre janeiro e maio, o Espírito Santo registrou a constituição de 13.075 empresas, sem considerar os Microempreendedores Individuais (MEIs). O mercado de trabalho também segue aquecido: o comércio empregava 375 mil pessoas no primeiro trimestre, cerca de 20 mil a mais do que no mesmo período de 2025.

Os números mais recentes revelam um ambiente favorável à abertura e à expansão de negócios, embora o cenário também apresente desafios, como as oscilações mensais das vendas, o aumento da informalidade e as restrições provocadas pelo endividamento e pelo elevado custo do crédito.

Estado registra mais de 13 mil novas empresas

Dados da Junta Comercial do Estado do Espírito Santo (Jucees) mostram que 13.075 empresas foram constituídas entre janeiro e maio de 2026. O maior resultado ocorreu em março, quando foram registrados 3.070 novos negócios — a primeira vez que o Estado ultrapassou a marca de 3 mil empresas abertas em um único mês, desconsiderando os MEIs.

Depois do recorde, o movimento permaneceu intenso, com 2.601 constituições em abril e 2.462 em maio. Somente nesses dois meses, mais 5.063 empresas ingressaram formalmente no ambiente de negócios capixaba.

As sociedades empresárias limitadas responderam por 11.796 registros nos cinco primeiros meses do ano, o equivalente a aproximadamente 90% das constituições. Os empresários individuais somaram 1.095 registros.

Além das aberturas, a Jucees contabilizou 29.886 alterações empresariais e 9.567 extinções entre janeiro e maio, números que demonstram a intensidade da movimentação empresarial no Espírito Santo.

Comércio tem 20 mil trabalhadores a mais

O fortalecimento do setor também aparece no mercado de trabalho. No primeiro trimestre de 2026, aproximadamente 375 mil pessoas estavam ocupadas no comércio capixaba, representando 18,7% de todos os trabalhadores ocupados no Estado.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o número de pessoas trabalhando no comércio cresceu 5,6%, o equivalente a cerca de 20 mil ocupados a mais. Em relação ao último trimestre de 2025, houve uma redução sazonal de 1,1%, movimento associado ao encerramento de vagas temporárias abertas para o Natal, a Black Friday e outras datas de maior movimento no fim do ano.

Comércio e serviços, juntos, concentravam 68,2% da população ocupada no Espírito Santo, reunindo cerca de 1,369 milhão de trabalhadores. Os dados reforçam o peso dessas atividades na geração de renda, no consumo e na dinâmica econômica estadual.

Varejo cresce no trimestre, apesar de oscilação mensal

O comércio varejista restrito do Espírito Santo acumulou crescimento de 1,4% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. O resultado indica continuidade da expansão observada no ano anterior, quando o volume de vendas do varejo capixaba avançou 3,5%, acima da média nacional de 1,6%.

Em abril de 2026, entretanto, o setor apresentou retração de 0,6% na comparação com março, na série com ajuste sazonal. A oscilação mensal não anula o resultado positivo do trimestre, mas reforça a necessidade de acompanhamento permanente do consumo, dos juros e da capacidade financeira das famílias.

Os números mostram um comércio que continua crescendo na comparação anual, mas que precisa lidar com um consumidor mais cuidadoso, sensível a preços, promoções e condições de pagamento.

Os dados mais recentes do Panorama do Comércio, da CNDL, reforçam essa leitura. Em maio de 2026, o varejo ampliado do Espírito Santo cresceu 3,2% na comparação com abril, segundo o IBGE. Foi o segundo melhor resultado mensal entre as unidades da Federação, atrás apenas do Tocantins, que avançou 8,7%.

No cenário nacional, as vendas do comércio varejista ficaram praticamente estáveis em maio, com alta de 0,1% ante abril, enquanto o varejo ampliado recuou 0,2%. No acumulado de janeiro a maio de 2026, porém, houve crescimento de 1,7% no varejo restrito e de 1,3% no varejo ampliado, em relação ao mesmo período de 2025.

Materiais para escritório lideram crescimento

Entre os segmentos acompanhados nacionalmente, materiais para escritório, grupo que inclui itens de informática, lideraram o crescimento no acumulado de janeiro a maio, com alta de 6,1%. Artigos médicos e farmacêuticos avançaram 4,3%, e móveis e eletrodomésticos, 3%. Material de construção foi a única das 11 atividades pesquisadas pelo IBGE a registrar queda no período, de 1%.

Desemprego permanece entre os menores do país

A taxa de desemprego do Espírito Santo ficou em 3,2% no primeiro trimestre de 2026. Apesar do aumento sazonal em relação aos 2,4% registrados no último trimestre de 2025, o Estado manteve a menor taxa de desocupação da Região Sudeste e a terceira menor do Brasil, atrás apenas de Santa Catarina e Mato Grosso.

No período, o Espírito Santo possuía aproximadamente 2,009 milhões de pessoas ocupadas e 66 mil desocupadas. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o número de pessoas sem trabalho diminuiu em 18 mil.

O levantamento também identificou crescimento de 18,1% no número de empregadores em relação ao trimestre anterior. O Estado passou a reunir cerca de 111 mil pessoas nessa condição, das quais 89 mil possuíam CNPJ. O resultado acompanha o recorde de constituições empresariais registrado pela Jucees.

Em âmbito nacional, o Caged registrou saldo positivo de 767.326 empregos formais entre janeiro e maio de 2026. No comércio, entretanto, o saldo foi negativo em 26.274 vagas. A comparação com o resultado capixaba deve ser feita com cautela, porque o Caged acompanha apenas os vínculos formais, enquanto a PNAD considera o conjunto da população ocupada. Ainda assim, os dados indicam que o comércio do Espírito Santo apresentou uma trajetória anual mais favorável.

Comércio exterior impulsiona logística e arrecadação

A corrente de comércio internacional do Espírito Santo, resultado da soma das exportações e importações, cresceu 14,6% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O aumento da movimentação internacional teve reflexos diretos nas atividades de logística. O segmento de transporte, armazenagem e correio ampliou em 10,9% o número de ocupados em relação ao último trimestre de 2025, com aproximadamente 12 mil trabalhadores a mais.

O comércio exterior também contribuiu para a expansão da arrecadação estadual. Entre setembro de 2025 e abril de 2026, a Receita Corrente Líquida anualizada do Governo do Espírito Santo passou de pouco mais de R$ 23 bilhões para R$ 24,3 bilhões. A alta real, descontada a inflação, foi de 5,2%, representando mais de R$ 1 bilhão em receitas depois de sete meses consecutivos de crescimento.

As importações, principalmente de veículos, estiveram entre os fatores que impulsionaram o resultado. O movimento beneficia diferentes elos da economia capixaba, como portos, transportadoras, operadores logísticos, distribuidores, concessionárias e prestadores de serviços.

Informalidade ainda é desafio

Embora o desemprego permaneça baixo, a qualidade das ocupações exige atenção. A taxa de informalidade do Espírito Santo aumentou de 37% no último trimestre de 2025 para 38,6% no primeiro trimestre de 2026.

O número de trabalhadores informais chegou a 775 mil, acréscimo de 17 mil pessoas no trimestre. A taxa capixaba ficou acima da média nacional, de 37,3%, e tornou-se a maior entre os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

O trabalho por conta própria também cresceu 1,1%, chegando a 479 mil pessoas. Entretanto, aproximadamente 73% desses trabalhadores atuavam sem CNPJ. A falta de formalização limita o acesso a crédito, benefícios, proteção jurídica e oportunidades de expansão dos negócios.

Crédito e inadimplência permanecem no radar

O ambiente de negócios favorável convive com limitações importantes do lado do consumidor. Em junho de 2026, 85,32% das pessoas que entraram nos cadastros de inadimplentes no país eram reincidentes, ou seja, já haviam registrado alguma restrição nos 12 meses anteriores.

No mesmo mês, o número de consumidores negativados chegou a 74,8 milhões, crescimento de 7,6% em relação a junho de 2025. Embora o ritmo de aumento tenha desacelerado diante dos meses anteriores, o contingente segue elevado. Entre as dívidas em atraso, 66% tinham instituições bancárias como credoras.

O intervalo médio entre o vencimento de uma dívida negativada e o surgimento de uma nova pendência foi de apenas 73 dias. A inadimplência alcançava aproximadamente 44,62% da população adulta brasileira.

O custo do crédito amplia o alerta. Em maio de 2026, a taxa média de juros nas operações com recursos livres para pessoas físicas chegou a 62,8% ao ano. No rotativo do cartão de crédito, a taxa atingiu 439,9% ao ano; no cartão parcelado, 189,6%; e no cheque especial, 138,3%. A inadimplência nas operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas alcançou 7,6%.

Para o varejo, os dados reforçam a importância de equilibrar o estímulo às vendas com a segurança do recebimento. Análise de crédito, organização do fluxo de caixa, diversificação dos meios de pagamento e relacionamento próximo com os clientes tornam-se ainda mais importantes em um cenário de juros elevados.

Intenção de consumo melhora, mas juros limitam avanço

Apesar das restrições financeiras, a percepção dos consumidores apresentou melhora. Em junho de 2026, o Indicador de Intenção de Consumo das Famílias, da Confederação Nacional do Comércio, cresceu 3,2% em relação ao mesmo mês de 2025. O componente que avalia o momento para a compra de bens duráveis avançou 20,3%, enquanto a percepção sobre o acesso ao crédito melhorou 6,8%.

A confiança do consumidor permaneceu praticamente estável em junho, aos 88,7 pontos. O ambiente, porém, ainda é limitado pela taxa Selic de 14,25% ao ano e pela inflação. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,6% em junho, acima do teto da meta, enquanto a projeção do Boletim Focus para o fechamento de 2026 estava em 5,1%.

Perspectivas para o segundo semestre

Os indicadores mostram que o comércio capixaba inicia a segunda metade de 2026 com bases importantes para continuar crescendo: abertura recorde de empresas, aumento anual do emprego no setor, baixo desemprego, expansão do comércio exterior e crescimento da arrecadação.

Ao mesmo tempo, o cenário exige atenção às oscilações do consumo, à informalidade e ao comprometimento financeiro das famílias. Para os empresários, o desafio será transformar o bom ambiente econômico em vendas sustentáveis, com gestão eficiente, controle de custos, inovação e segurança financeira.

Tecnologia, integração entre lojas físicas e digitais, inteligência artificial, atendimento personalizado e adaptação à reforma tributária também devem ocupar espaço crescente na agenda do varejo nos próximos meses.


Saiba mais – Principais indicadores do comércio capixaba

Abertura de empresas – janeiro a maio de 2026

  • Empresas constituídas: 13.075
  • Recorde mensal: 3.070 empresas em março
  • Empresas abertas em abril e maio: 5.063
  • Sociedades empresárias limitadas: 11.796
  • Alterações empresariais: 29.886
  • Extinções: 9.567

Comércio e varejo

  • Crescimento do varejo restrito no primeiro trimestre de 2026: 1,4%
  • Variação em abril ante março de 2026: -0,6%
  • Crescimento do varejo capixaba em 2025: 3,5%
  • Crescimento do varejo brasileiro em 2025: 1,6%
  • Crescimento do varejo ampliado capixaba em maio ante abril de 2026: 3,2%
  • Posição do Espírito Santo no resultado mensal do varejo ampliado: 2º lugar entre as unidades da Federação
  • Crescimento do varejo brasileiro de janeiro a maio de 2026: 1,7%
  • Crescimento do varejo ampliado brasileiro de janeiro a maio de 2026: 1,3%
  • Segmentos nacionais com maior alta no acumulado: materiais para escritório (6,1%), artigos médicos e farmacêuticos (4,3%) e móveis e eletrodomésticos (3%)

Mercado de trabalho – primeiro trimestre de 2026

  • Pessoas ocupadas no comércio: 375 mil
  • Crescimento anual do emprego no comércio: 5,6%
  • Trabalhadores adicionais no setor: cerca de 20 mil
  • Participação do comércio na população ocupada: 18,7%
  • Participação conjunta de comércio e serviços: 68,2%
  • Taxa de desemprego: 3,2%
  • Taxa de informalidade: 38,6%
  • Empregos formais criados no Brasil de janeiro a maio de 2026: 767.326
  • Saldo de vagas formais no comércio brasileiro no período: -26.274

Empreendedorismo – primeiro trimestre de 2026

  • Empregadores: 111 mil
  • Crescimento em relação ao trimestre anterior: 18,1%
  • Trabalhadores por conta própria: 479 mil
  • Trabalhadores por conta própria sem CNPJ: aproximadamente 73%

Comércio exterior e logística

  • Crescimento da corrente de comércio no primeiro trimestre de 2026: 14,6%
  • Crescimento do emprego em transporte, armazenagem e correio: 10,9%
  • Novas ocupações no segmento: aproximadamente 12 mil

Arrecadação estadual – setembro de 2025 a abril de 2026

  • Receita Corrente Líquida anualizada em abril: R$ 24,3 bilhões
  • Crescimento real no período: 5,2%
  • Aumento das receitas: mais de R$ 1 bilhão

Consumo, crédito e inflação – maio e junho de 2026

  • Crescimento anual da Intenção de Consumo das Famílias em junho: 3,2%
  • Crescimento do indicador “Momento para duráveis”: 20,3%
  • Indicador de Confiança do Consumidor em junho: 88,7 pontos
  • Consumidores negativados em junho: 74,8 milhões
  • Crescimento anual do número de negativados: 7,6%
  • Participação dos bancos entre os credores das dívidas em atraso: 66%
  • Taxa média de juros para pessoas físicas em maio: 62,8% ao ano
  • Taxa do rotativo do cartão de crédito em maio: 439,9% ao ano
  • IPCA acumulado em 12 meses até junho: 4,6%
  • Taxa Selic: 14,25% ao ano

Fontes: Junta Comercial do Estado do Espírito Santo; PNAD Contínua/IBGE; Connect Fecomércio-ES; Pesquisa Mensal do Comércio/IBGE; Instituto Jones dos Santos Neves; Secretaria do Tesouro Nacional; Aequus Consultoria Econômica; CNDL e SPC Brasil; Panorama do Comércio – julho de 2026/CNDL; Caged/Ministério do Trabalho e Emprego; Banco Central do Brasil; Fundação Getulio Vargas; Confederação Nacional do Comércio.

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