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Balanço do Comércio Capixaba #16

Espírito Santo lidera crescimento da atividade econômica e chega ao 2º semestre com desemprego de 2,3%

O Espírito Santo chega ao 2º semestre de 2026 com indicadores que reforçam o dinamismo da economia estadual. Em maio, o Estado registrou o maior crescimento da atividade econômica do país, com avanço de 4,4% em relação a abril, segundo o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), do Banco Central. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 3,9%, o segundo melhor resultado entre os 14 estados acompanhados.

O mercado de trabalho acompanha esse desempenho. No segundo trimestre, a taxa de desemprego capixaba caiu para 2,3%, a terceira menor do Brasil. Ao mesmo tempo, o fortalecimento de atividades ligadas ao comércio pode ser observado na expansão do setor atacadista, que já reúne mais de 4,3 mil empresas e responde por parcela relevante da geração de empregos e da arrecadação estadual.

No cenário nacional, o varejo também continua crescendo, embora em ritmo mais moderado. Segundo o Panorama do Comércio, da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), as vendas avançaram 1,9% no primeiro semestre de 2026. Juros ainda elevados, inadimplência e menor confiança principalmente entre consumidores de baixa renda, porém, seguem exigindo atenção das empresas.

Espírito Santo lidera atividade econômica

O crescimento de 4,4% da atividade econômica capixaba em maio, na comparação com abril, colocou o Espírito Santo na liderança nacional entre os estados pesquisados pelo Banco Central.

No acumulado de 12 meses, a economia estadual avançou 3,9%, alcançando o segundo melhor desempenho do levantamento. O resultado capixaba também colaborou para a expansão de 1,6% da Região Sudeste no mês, acima da média nacional, de 1,4%.

Os números indicam uma economia estadual aquecida e ajudam a criar um ambiente favorável ao comércio, com reflexos sobre geração de renda, consumo, investimentos e abertura de oportunidades para novos negócios.

Desemprego cai para 2,3%

Outro indicador positivo vem do mercado de trabalho. No segundo trimestre de 2026, a taxa de desemprego no Espírito Santo ficou em 2,3%, ante 3,2% nos três primeiros meses do ano e 3,1% no mesmo período de 2025.

Com o resultado, o Estado passou a ter a terceira menor taxa de desemprego do Brasil, atrás apenas de Santa Catarina, com 2,1%, e Mato Grosso, com 2,2%. A média brasileira ficou em 5,4%.

A população desocupada foi estimada em 49 mil pessoas, redução de aproximadamente 25% tanto em relação ao trimestre anterior quanto ao segundo trimestre do ano passado. Já a população ocupada chegou a 2,08 milhões de pessoas, crescimento de 3,6% no trimestre, com cerca de 71 mil pessoas a mais trabalhando.

Falta de mão de obra passa a desafiar empresas

O mercado de trabalho aquecido, entretanto, traz um novo desafio. Com o desemprego em patamar historicamente baixo, diferentes segmentos da economia capixaba começam a relatar maior dificuldade para contratar e reter profissionais.

Comércio, hotelaria, construção civil e mercado imobiliário estão entre as atividades que enfrentam esse cenário. Em algumas áreas, o problema já não está apenas na qualificação, mas na própria disponibilidade de trabalhadores interessados em determinadas funções.

Para as empresas, a escassez de mão de obra pode se tornar um fator relevante para decisões de expansão, produtividade e investimentos nos próximos meses.

Atacado amplia peso na economia capixaba

O comércio atacadista também evidencia a expansão do ambiente empresarial no Espírito Santo. O Estado chegou a 4.366 empresas atacadistas, crescimento de 59% em relação a 2020, quando eram 2.745 estabelecimentos.

O segmento está presente em 76 dos 78 municípios capixabas e reúne mais de 100 mil empregos diretos e indiretos. Os empregos diretos passaram de cerca de 36 mil em 2020 para mais de 56 mil em 2024.

O peso econômico também aparece na arrecadação. Em 2025, o atacado recolheu R$ 6,6 bilhões em ICMS, equivalente a 29,2% de toda a receita estadual do imposto, mantendo-se como o setor que mais contribui para essa arrecadação.

Serra, Vila Velha, Vitória, Cariacica e Linhares concentram o maior número de empresas atacadistas do Estado.

A Pesquisa Compete Atacadista também mostra a dimensão financeira das empresas participantes: elas somaram R$ 225 bilhões em faturamento, sendo R$ 27,3 bilhões gerados no Espírito Santo, e projetam R$ 14,3 bilhões em compras operacionais no período de um ano.

Varejo brasileiro cresce 1,9% no semestre

No cenário nacional, o comércio encerrou o primeiro semestre mantendo trajetória de expansão. Segundo o Panorama do Comércio, da CNDL, tanto o comércio varejista quanto o varejo ampliado cresceram 1,9% entre janeiro e junho de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Entre as atividades pesquisadas pelo IBGE, oito das 11 apresentaram crescimento no acumulado do semestre. Materiais para escritório lideraram as altas, categoria que inclui equipamentos de informática, com avanço de 5,5%. Na sequência aparecem artigos médicos e farmacêuticos, com 4,6%; livros, jornais, revistas e papelaria, com 4,2%; e móveis e eletrodomésticos, com 3,8%.

Na outra ponta, tecidos, vestuário e calçados apresentaram recuo de 0,2%, enquanto materiais de construção caíram 0,8%.

Juros e inflação ainda exigem atenção

A economia brasileira começou a observar uma redução gradual dos juros. Em agosto, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic para 14% ao ano, mas sinalizou cautela em relação aos próximos passos.

A inflação também apresentou melhora. O IPCA acumulado em 12 meses desacelerou para 4,4% em julho. A inflação de serviços, entretanto, permaneceu mais pressionada, em 5,8%, indicando que o processo de desaceleração dos preços ainda não está consolidado.

No mercado de trabalho, o Brasil criou 921.645 vagas formais no primeiro semestre de 2026. O resultado, contudo, foi desigual entre os setores. Enquanto serviços lideraram a geração de postos, o comércio acumulou saldo negativo de 3.514 vagas.

Inadimplência continua pressionando o consumo

Do lado do consumidor, os indicadores recomendam atenção. Em julho, o Indicador de Confiança do Consumidor ficou em 88,3 pontos, abaixo dos 88,7 registrados anteriormente.

A queda foi especialmente intensa entre as famílias de menor renda. Entre consumidores com renda de até R$ 2,1 mil, a confiança caiu de 90,3 para 79,8 pontos em apenas um mês.

A inadimplência também permanece elevada. O Brasil alcançou 75,1 milhões de consumidores negativados em julho, o equivalente a 44,7% da população adulta. O número aumentou 7,8% em relação ao mesmo mês de 2025.

Entre as empresas, a inadimplência também avançou: o número de pessoas jurídicas negativadas cresceu 13,6% na comparação anual.

Perspectivas para o segundo semestre

Os indicadores mostram um Espírito Santo chegando à segunda metade de 2026 em posição favorável, com crescimento da atividade econômica, desemprego historicamente baixo e expansão de importantes segmentos empresariais.

Para o comércio, o cenário abre oportunidades, principalmente diante de um mercado de trabalho aquecido e de uma economia estadual que cresce acima da média nacional em importantes indicadores.

Ao mesmo tempo, o ambiente exige atenção. A dificuldade para encontrar mão de obra tende a ganhar espaço entre as preocupações das empresas, enquanto, no cenário nacional, juros ainda elevados, inadimplência e comprometimento financeiro das famílias podem limitar uma recuperação mais intensa do consumo.

O desafio para o varejo será aproveitar o dinamismo da economia capixaba e transformá-lo em crescimento sustentável, combinando gestão, produtividade, inovação, controle financeiro e estratégias capazes de acompanhar um consumidor cada vez mais atento a preços, crédito e condições de pagamento.

Saiba mais: principais indicadores do comércio e da economia

Atividade econômica do Espírito Santo

  • Crescimento em maio de 2026 ante abril: 4,4%
  • Posição no país no resultado mensal: 1º lugar
  • Crescimento acumulado em 12 meses: 3,9%
  • Posição no acumulado de 12 meses: 2º lugar entre os 14 estados acompanhados
  • Crescimento da Região Sudeste: 1,6%
  • Crescimento médio nacional no período: 1,4%

Mercado de trabalho capixaba: 2º trimestre de 2026

  • Taxa de desemprego: 2,3%
  • Posição entre os estados: 3ª menor do Brasil
  • Taxa no trimestre anterior: 3,2%
  • Taxa no 2º trimestre de 2025: 3,1%
  • População desocupada: 49 mil pessoas
  • Queda trimestral da população desocupada: 25,7%
  • População ocupada: 2,08 milhões
  • Novos ocupados em relação ao trimestre anterior: 71 mil
  • Taxa de desemprego no Brasil: 5,4%

Comércio atacadista no Espírito Santo

  • Empresas atacadistas: 4.366
  • Crescimento no número de empresas desde 2020: 59%
  • Municípios com presença do setor: 76 dos 78
  • Empregos diretos e indiretos: mais de 100 mil
  • Participação nos empregos formais do Estado: 5,1%
  • Empregos diretos em 2024: mais de 56 mil
  • ICMS arrecadado em 2025: R$ 6,6 bilhões
  • Participação na arrecadação estadual de ICMS: 29,2%
  • Faturamento das empresas participantes da Pesquisa Compete Atacadista: R$ 225 bilhões
  • Faturamento gerado no Espírito Santo: R$ 27,3 bilhões
  • Compras operacionais projetadas: R$ 14,3 bilhões

Comércio brasileiro: 1º semestre de 2026

  • Crescimento do comércio varejista: 1,9%
  • Crescimento do varejo ampliado: 1,9%
  • Materiais para escritório e informática: +5,5%
  • Artigos médicos e farmacêuticos: +4,6%
  • Livros, jornais, revistas e papelaria: +4,2%
  • Móveis e eletrodomésticos: +3,8%
  • Tecidos, vestuário e calçados: -0,2%
  • Material de construção: -0,8%

Economia, emprego e consumo no Brasil

  • Taxa Selic: 14% ao ano
  • IPCA acumulado em 12 meses até julho: 4,4%
  • Inflação de serviços: 5,8%
  • Vagas formais criadas no 1º semestre: 921.645
  • Saldo de empregos formais no comércio: -3.514
  • Confiança do consumidor em julho: 88,3 pontos
  • Consumidores negativados: 75,1 milhões
  • Parcela da população adulta negativada: 44,7%
  • Crescimento anual dos consumidores negativados: 7,8%
  • Crescimento anual das empresas negativadas: 13,6%

Fontes: Banco Central do Brasil; IBGE/Pnad Contínua; CNDL e SPC Brasil; Panorama do Comércio de agosto de 2026/CNDL; Caged/Ministério do Trabalho e Emprego; Fundação Getulio Vargas; Sincades; Pesquisa Compete Atacadista.

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