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Varejo inicia 2026 sob pressão do crédito e retração nas vendas

O comércio brasileiro iniciou 2026 em um cenário de contrastes. De um lado, um mercado de trabalho em nível historicamente baixo de desemprego e exportações ainda robustas no agronegócio. De outro, um varejo que perdeu fôlego logo no primeiro mês do ano e um volume recorde de consumidores inadimplentes.
O resultado é um ambiente que exige atenção redobrada de empresários, gestores e consumidores: a economia dá sinais mistos, e o comportamento das famílias revela cautela.
Janeiro tradicionalmente é um mês de ajuste no orçamento doméstico, com despesas sazonais, reorganização financeira e pagamento de compromissos acumulados no fim do ano. Em 2026, esse movimento veio acompanhado de retração nas vendas, pressão significativa no crédito e sinais de fragilidade estrutural na capacidade de recuperação financeira das famílias — inclusive no Espírito Santo.
Saiba mais – Janeiro 2026
Desempenho do comércio varejista
Queda nas vendas
Os números indicam um início de ano mais fraco para o setor, refletindo menor consumo e ambiente de crédito mais restritivo.
Inadimplência e crédito – Brasil
Pior janeiro da série histórica
Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil mostra que o Brasil registrou 73,30 milhões de consumidores inadimplentes em janeiro de 2026 — o equivalente a 43,88% da população adulta.
Dívidas de longo prazo em alta
Perfil do inadimplente no país
Setores credores
Principais altas
Recorte estadual de inadimplência – Espírito Santo
Os dados do SPC Brasil mostram que, no Espírito Santo, a inadimplência também avançou, embora em ritmo inferior ao nacional.
Perfil do inadimplente capixaba
Distribuição por valor:
O tempo médio de atraso no estado é de 29,5 meses (cerca de 2,5 anos), e 36,58% acumulam dívidas entre 1 e 3 anos.
O número de dívidas em atraso cresceu 11,54% na comparação anual e 2,10% na mensal.
Setores mais pressionados no ES
Reincidência e recuperação de crédito no Espírito Santo
Um dado especialmente relevante para o comércio capixaba é o alto índice de reincidência.
Em janeiro de 2026, 85,41% das negativações no estado foram de consumidores que já haviam sido negativados nos últimos 12 meses.
O número de reincidentes cresceu 4,49% no acumulado de 12 meses. Entre eles, a faixa de 30 a 39 anos também é predominante (26,88%), com maioria feminina (53,25%). O intervalo médio entre o vencimento de uma dívida e outra é de 76,3 dias – pouco mais de dois meses.
Já o indicador de recuperação de crédito aponta enfraquecimento: o número de consumidores que conseguiram sair da inadimplência caiu 8,32% no acumulado de 12 meses no estado.
A queda foi mais intensa entre consumidores que levaram de 4 a 5 anos para quitar suas pendências (-20,46%).
Comércio Exterior
Exportações agroalimentares
Mesmo em cenário de preços internacionais mais baixos, o setor segue como pilar das exportações brasileiras.
Indicadores econômicos relevantes
Atividade econômica
O Leading Economic Index (LEI) do Brasil, divulgado pelo The Conference Board, cresceu 0,9% em janeiro de 2026, indicando perspectiva moderadamente positiva para os próximos meses.
Panorama geral
Para o comércio capixaba, o recado é claro: 2026 começa exigindo gestão mais estratégica do crédito, análise criteriosa de risco e ofertas alinhadas a um consumidor mais seletivo, pressionado e financeiramente fragilizado.