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Balanço do Comércio Capixaba #10

Varejo inicia 2026 sob pressão do crédito e retração nas vendas

O comércio brasileiro iniciou 2026 em um cenário de contrastes. De um lado, um mercado de trabalho em nível historicamente baixo de desemprego e exportações ainda robustas no agronegócio. De outro, um varejo que perdeu fôlego logo no primeiro mês do ano e um volume recorde de consumidores inadimplentes.

O resultado é um ambiente que exige atenção redobrada de empresários, gestores e consumidores: a economia dá sinais mistos, e o comportamento das famílias revela cautela.

Janeiro tradicionalmente é um mês de ajuste no orçamento doméstico, com despesas sazonais, reorganização financeira e pagamento de compromissos acumulados no fim do ano. Em 2026, esse movimento veio acompanhado de retração nas vendas, pressão significativa no crédito e sinais de fragilidade estrutural na capacidade de recuperação financeira das famílias — inclusive no Espírito Santo.


Saiba mais – Janeiro 2026

Desempenho do comércio varejista

Queda nas vendas

  • As vendas no varejo brasileiro recuaram 1,3% em janeiro de 2026 em comparação com dezembro de 2025, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS).
  • Na comparação com janeiro de 2025, o varejo apresentou queda de 5,9% no volume vendido.

Os números indicam um início de ano mais fraco para o setor, refletindo menor consumo e ambiente de crédito mais restritivo.

Inadimplência e crédito – Brasil

Pior janeiro da série histórica

Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil mostra que o Brasil registrou 73,30 milhões de consumidores inadimplentes em janeiro de 2026 — o equivalente a 43,88% da população adulta.

  • Alta anual de 9,39% no número de negativados.
  • Alta mensal de 0,85% (dez/25 para jan/26).

Dívidas de longo prazo em alta

  • Crescimento de 34,30% nas inclusões de devedores com tempo de inadimplência entre 4 e 5 anos, sinalizando dificuldade estrutural de recuperação financeira.

Perfil do inadimplente no país

  • Maior concentração entre 30 e 39 anos (17,87 milhões de negativados).
  • 52,71% da população dessa faixa etária está inadimplente.
  • 51,27% mulheres e 48,73% homens.
  • Valor médio das dívidas: R$ 4.898,02.
  • Média de 2,26 empresas credoras por consumidor.
  • 30,65% têm dívidas de até R$ 500.
  • 43,42% devem até R$ 1.000.

Setores credores

  • Crescimento anual do número de dívidas: +15,76%.
  • Variação mensal: +1,88%.

Principais altas

  • Água e Luz: +24,81%.
  • Bancos: +15,08%.
  • Comunicação: +9,71%.
  • Comércio: +1,80%.

Recorte estadual de inadimplência – Espírito Santo

Os dados do SPC Brasil mostram que, no Espírito Santo, a inadimplência também avançou, embora em ritmo inferior ao nacional.

  • Crescimento anual de 6,01% no número de inadimplentes (jan/26 sobre jan/25), abaixo da média do Sudeste (8,89%) e do Brasil (9,39%).
  • Na comparação mensal, alta de 1,23%.

Perfil do inadimplente capixaba

  • Faixa de 30 a 39 anos lidera, com 24,43% do total.
  • 50,88% mulheres e 49,12% homens.
  • Idade média: 46,5 anos.
  • Valor médio devido: R$ 5.146,31 (acima da média nacional).
  • Média de 2,272 dívidas por consumidor.

Distribuição por valor:

  • 27,29% devem até R$ 500.
  • 40,56% devem até R$ 1.000.

O tempo médio de atraso no estado é de 29,5 meses (cerca de 2,5 anos), e 36,58% acumulam dívidas entre 1 e 3 anos.

O número de dívidas em atraso cresceu 11,54% na comparação anual e 2,10% na mensal.

Setores mais pressionados no ES

  • Bancos: 67,27% do total de dívidas.
  • Comércio: 9,98%.
  • Água e Luz: 9,82%.
  • Comunicação: 7,81%.

Reincidência e recuperação de crédito no Espírito Santo

Um dado especialmente relevante para o comércio capixaba é o alto índice de reincidência.

Em janeiro de 2026, 85,41% das negativações no estado foram de consumidores que já haviam sido negativados nos últimos 12 meses.

  • 64,09% ainda não haviam quitado dívidas antigas.
  • 21,32% haviam regularizado pendências, mas voltaram a ficar inadimplentes.
  • Apenas 14,59% não tinham histórico recente de negativação.

O número de reincidentes cresceu 4,49% no acumulado de 12 meses. Entre eles, a faixa de 30 a 39 anos também é predominante (26,88%), com maioria feminina (53,25%). O intervalo médio entre o vencimento de uma dívida e outra é de 76,3 dias – pouco mais de dois meses.

Já o indicador de recuperação de crédito aponta enfraquecimento: o número de consumidores que conseguiram sair da inadimplência caiu 8,32% no acumulado de 12 meses no estado.

  • Tempo médio para pagamento das dívidas: 10,9 meses.
  • Valor médio pago para regularização: R$ 2.430,41.
  • 57,33% quitaram até R$ 500.

A queda foi mais intensa entre consumidores que levaram de 4 a 5 anos para quitar suas pendências (-20,46%).

Comércio Exterior

Exportações agroalimentares

  • O agronegócio brasileiro exportou cerca de US$ 10,8 bilhões em alimentos, volume 2,2% inferior a janeiro de 2025 em valor.
  • A carne bovina fresca atingiu recorde, com aproximadamente US$ 1,3 bilhão em embarques.

Mesmo em cenário de preços internacionais mais baixos, o setor segue como pilar das exportações brasileiras.

Indicadores econômicos relevantes

Atividade econômica

O Leading Economic Index (LEI) do Brasil, divulgado pelo The Conference Board, cresceu 0,9% em janeiro de 2026, indicando perspectiva moderadamente positiva para os próximos meses.

Panorama geral

  • Varejo em retração, com queda mensal e anual nas vendas.
  • Inadimplência em nível elevado no país e crescimento também no Espírito Santo.
  • Alto índice de reincidência, indicando fragilidade estrutural das finanças familiares.
  • Queda na recuperação de crédito, sinalizando dificuldade de reorganização financeira.
  • Exportações resilientes, com destaque para proteína animal.
  • Indicadores mistos, combinando mercado de trabalho forte com consumo cauteloso.

Para o comércio capixaba, o recado é claro: 2026 começa exigindo gestão mais estratégica do crédito, análise criteriosa de risco e ofertas alinhadas a um consumidor mais seletivo, pressionado e financeiramente fragilizado.

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