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Empreendedorismo bate recorde no Espírito Santo enquanto inadimplência desafia o consumo no Brasil

O comércio capixaba avança em 2026 impulsionado por um ambiente de confiança, dinamismo econômico e forte crescimento do empreendedorismo. Ao mesmo tempo, o cenário nacional impõe desafios importantes, com a inadimplência atingindo níveis recordes e impactando diretamente o poder de compra dos consumidores.
Esse contraste define o atual momento do varejo: enquanto o Espírito Santo demonstra resiliência e capacidade de expansão, o Brasil enfrenta um freio relevante na circulação de consumo.
Um dos principais destaques do início deste ano é o recorde na abertura de empresas no Espírito Santo. O mês de março registrou o maior número de constituições da história na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo (Jucees), com 3.070 novos negócios, sendo 2.674 matrizes e 396 filiais.
É a primeira vez que o estado ultrapassa a marca de três mil registros em um único mês, com crescimento de 43,7% em relação a março de 2025. No acumulado do trimestre, já são 8.012 empresas abertas, reforçando o ambiente favorável ao empreendedorismo.
As atividades mais procuradas indicam uma economia voltada para serviços e suporte empresarial, com destaque para serviços administrativos, treinamento profissional e promoção de vendas. Vitória lidera o ranking de aberturas, seguida por Vila Velha, Serra, Cariacica e Cachoeiro de Itapemirim.
Esse movimento fortalece o comércio ao ampliar a base de empresas, gerar empregos e estimular a circulação de renda.
Outro pilar importante é a confiança do empresariado. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pelo Connect Fecomércio-ES com base na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, mostra um cenário de otimismo, especialmente entre empresas de maior porte.
Houve alta nos três principais indicadores: expectativas futuras (+7,2%), intenções de investimento (+7,1%) e condições atuais (+5,4%). Mesmo com leve oscilação no índice geral, o Espírito Santo permanece acima da zona de satisfação (100 pontos) desde meados de 2025.
Com 109,8 pontos, o estado lidera o Sudeste, superando a média nacional e indicando maior propensão a investimentos, contratações e expansão das atividades.
Esse ambiente positivo se reflete nas projeções econômicas. O Espírito Santo deve movimentar cerca de R$ 98 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com forte protagonismo do comércio e dos serviços.
O comércio concentra a maior fatia, com R$ 81,66 bilhões e expectativa de crescimento de 15%, impulsionado principalmente pelo varejo. Já o setor de serviços deve alcançar R$ 16,37 bilhões, com alta de 7,3%, com destaque para transportes e atividades logísticas.
Os números reforçam o papel estratégico desses setores como motores da economia capixaba e sustentam um cenário de crescimento consistente no início do ano.
Em contrapartida, o cenário nacional acende um sinal de alerta. O Brasil atingiu, em março de 2026, o maior nível de inadimplência da história, com 74,31 milhões de consumidores negativados, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o SPC Brasil.
O número representa 44,42% da população adulta e impacta diretamente o varejo, ao reduzir o acesso ao crédito e limitar o consumo. O endividamento médio ultrapassa R$ 5 mil por consumidor, e grande parte das dívidas está concentrada no sistema bancário e em despesas essenciais, como contas de água e energia.
Esse cenário torna o comportamento do consumidor mais cauteloso, seletivo e sensível a preço, exigindo maior atenção por parte das empresas.
Diante desse contexto, o comércio capixaba opera entre dois vetores: de um lado, um ambiente local favorável, com crescimento, confiança e expansão de negócios; de outro, um cenário nacional que impõe restrições ao consumo.
A combinação desses fatores exige uma atuação mais estratégica por parte das empresas. Gestão de crédito mais rigorosa, ações de renegociação, uso inteligente de dados e foco na experiência do cliente tornam-se essenciais para sustentar resultados.
Ao mesmo tempo, o momento abre oportunidades. O crescimento do número de empresas, o aumento da confiança e o aquecimento da economia criam um ambiente propício para inovação, expansão e fortalecimento do varejo.
O Espírito Santo inicia 2026 com bases sólidas para o crescimento, sustentado pelo empreendedorismo, pela confiança empresarial e pela atividade econômica aquecida. No entanto, o avanço da inadimplência no Brasil impõe limites e exige atenção constante.
O sucesso do comércio, neste cenário, dependerá da capacidade de adaptação a um consumidor que continua presente, mas mais criterioso, planejado e atento ao próprio orçamento.
Saiba mais – Comércio em números
Brasil (dados nacionais)
Inadimplência (mar/2026):
74,31 milhões de consumidores negativados
44,42% da população adulta
+0,92% vs fev/2026
+17,31% no número de dívidas vs mar/2025
Perfil da inadimplência (Brasil):
Maior concentração: 30 a 39 anos (18,12 milhões)
53,45% dessa faixa está inadimplente
51,40% mulheres e 48,60% homens
Dívida média (mar/2026):
R$ 5.044,65 por consumidor
2,31 empresas credoras por devedor
Faixa de valor das dívidas:
Até R$ 500: 29,79%
Até R$ 1.000: 42,23%
Distribuição das dívidas por setor:
Bancos: 66,39%
Água e luz: 10,63%
Outros: 9,08%
Comércio: 8,49%
Crescimento por região (inadimplência):
Norte: +9,73%
Sul: +9,25%
Sudeste: +8,97%
Centro-Oeste: +6,71%
Nordeste: +6,60%
Espírito Santo (dados estaduais)
Abertura de empresas (mar/2026):
3.070 novas empresas (recorde histórico)
+43,7% vs mar/2025
Primeira vez acima de 3 mil registros
1º trimestre de 2026:
8.012 empresas abertas
+877 vs mesmo período de 2025
Cidades com mais aberturas:
Vitória: 590
Vila Velha: 480
Serra: 365
Cariacica: 214
Cachoeiro de Itapemirim: 135
Principais atividades:
Serviços administrativos: 316
Treinamento profissional: 220
Promoção de vendas: 187
Confiança do empresário (fev/2026):
Icec-ES: 109,8 pontos
Acima da média nacional (103,8)
Maior índice do Sudeste
Subíndices:
Expectativas futuras: +7,2%
Intenções de investimento: +7,1%
Condições atuais: +5,4%
Atividade econômica (1º tri/2026):
R$ 98 bilhões em movimentação
Comércio:
R$ 81,66 bilhões
+15% (estimativa)
Serviços:
R$ 16,37 bilhões
+7,3% (estimativa)
Destaques:
Varejo: R$ 25,1 bilhões
Transportes e logística: R$ 6,38 bilhões
Fontes: Jucees, Connect Fecomércio-ES e CNDL/SPC Brasil
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