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Espírito Santo mantém ritmo de crescimento enquanto inadimplência e juros desafiam o varejo brasileiro

O comércio capixaba segue demonstrando força em 2026, sustentado por um ambiente de confiança elevada, crescimento da atividade econômica, recordes no comércio exterior e forte expansão da indústria. Ao mesmo tempo, o cenário nacional exige atenção redobrada do varejo diante da desaceleração econômica, juros elevados e avanço da inadimplência no país.
O Espírito Santo iniciou 2026 com indicadores econômicos robustos. Em março, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) alcançou 109,9 pontos, mantendo-se acima da zona de satisfação pelo décimo mês consecutivo. O resultado representa crescimento de 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado e coloca o estado como destaque no Sudeste.
A confiança do empresariado foi impulsionada principalmente pela melhora nas expectativas futuras, pela percepção positiva sobre a economia e pelo avanço da intenção de contratação de funcionários. O cenário indica uma acomodação natural após o forte crescimento registrado no segundo semestre de 2025, mas ainda em patamar elevado de confiança.
Comércio Exterior
Outro destaque foi o desempenho histórico do comércio exterior capixaba. Entre janeiro e abril de 2026, a corrente de comércio do Espírito Santo atingiu US$ 7,95 bilhões, crescimento de 18,3% frente ao mesmo período de 2025 e acima até do recorde histórico registrado em 2011.
As exportações foram impulsionadas por minério de ferro, café, aço, rochas ornamentais e celulose, enquanto as importações avançaram principalmente com a entrada de automóveis, em especial veículos eletrificados.
Indústria
A indústria capixaba também apresentou forte expansão no primeiro trimestre do ano. Dados do IBGE mostram crescimento de 22,6% na produção industrial entre janeiro e março, resultado muito acima da média nacional e o segundo maior do país no período.
O avanço foi puxado pela indústria extrativa, especialmente pela produção de pelotas de minério de ferro, petróleo e gás natural. A produção industrial do estado acumula dez meses consecutivos de crescimento em dois dígitos.
Enquanto o Espírito Santo mantém um ambiente de crescimento, o cenário nacional segue mais desafiador para o comércio.
Dados da CNDL e do SPC Brasil mostram que abril de 2026 registrou o pior cenário de inadimplência da história recente. Do total de negativações realizadas no período, 85,95% foram de consumidores reincidentes, ou seja, pessoas que já haviam ficado inadimplentes nos últimos 12 meses.
O levantamento mostra ainda que 68,53% desses consumidores sequer conseguiram quitar dívidas antigas antes de retornarem ao cadastro de inadimplentes. O tempo médio entre uma dívida e outra caiu para apenas 71 dias, evidenciando um ciclo mais acelerado de endividamento.
Nos 12 meses encerrados em abril, o número de devedores reincidentes cresceu 15,05%, enquanto a recuperação de crédito apresentou queda de 2,92%.
Ao mesmo tempo, o Panorama do Comércio da CNDL aponta desaceleração da economia brasileira. Em 2025, o PIB cresceu 2,3%, abaixo dos 3,4% registrados em 2024, refletindo os impactos dos juros elevados sobre consumo, crédito e investimentos.
A Selic chegou a 15% ao ano, encarecendo financiamentos e reduzindo o ritmo da atividade econômica. Apesar dos primeiros sinais de melhora nas vendas do comércio em 2026, o ambiente ainda exige cautela, diante do crédito restrito e do consumidor mais seletivo.
O contraste entre o dinamismo da economia capixaba e os desafios enfrentados pelo consumo no Brasil define o cenário atual do comércio. Enquanto o Espírito Santo amplia investimentos, fortalece sua atividade industrial e registra recordes no comércio exterior, o varejo nacional convive com inadimplência elevada e desaceleração econômica.
Nesse contexto, eficiência operacional, gestão financeira e capacidade de adaptação ao comportamento do consumidor tornam-se fatores decisivos para sustentar o crescimento ao longo de 2026.
Espírito Santo
Confiança do comércio (março de 2026)
Comércio exterior (janeiro a abril de 2026)
Indústria (1º trimestre de 2026)
Brasil
Inadimplência (abril de 2026)
Economia nacional (2025 e início de 2026)