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Comércio capixaba cresce entre alívio tarifário e pressão do crédito

O Espírito Santo volta ao centro das discussões econômicas internacionais após a decisão do governo dos Estados Unidos de reduzir tarifas sobre diversos produtos agrícolas brasileiros. O movimento beneficia diretamente setores essenciais do comércio capixaba, especialmente o café, e coloca em destaque as articulações diplomáticas, industriais e logísticas que vêm moldando o ambiente econômico do Estado.
A ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump retirou a sobretaxa de 40% sobre o café verde brasileiro e reduziu tarifas para carne bovina, tomate, banana e outras frutas tropicais. A medida é positiva para o Espírito Santo, que tem nos Estados Unidos seu maior comprador de café. Agora, o setor trabalha para incluir também o café solúvel na isenção total.
Enquanto o café comemora, o setor de rochas ornamentais enfrenta um quadro desafiador. Mármore, granito e pedra-sabão seguem taxados pelos EUA. O Sindirochas-ES confirma que o tarifaço permanece, apesar das tratativas, e que o setor se articula de forma organizada para reverter o cenário. As empresas brasileiras, inclusive, contrataram consultorias especializadas para intensificar o lobby, prática legal nos Estados Unidos.
O Espírito Santo está entre os estados que atingiram a menor taxa de desemprego desde 2012, segundo a PNAD. Ao mesmo tempo, encerrou 2023 com um PIB de R$ 209,8 bilhões, crescimento de 3,4%, acima da média brasileira (3,2%).
O mercado de trabalho segue em expansão: em setembro, o Estado registrou 3.793 novos postos formais, acumulando 22.854 vagas no ano.
O envio de pacotes do comércio eletrônico cresceu 68% entre julho e setembro de 2025, posicionando o Espírito Santo como o quarto maior volume do país. A expansão beneficia tanto micro e pequenos negócios quanto grandes marcas que utilizam o Estado como hub logístico.
O setor portuário também avança: o novo contrato entre Vports e Comexport amplia em 16 mil m² a área de armazenamento dentro do Porto de Vitória e fortalece a posição do Estado como principal porta de entrada de automóveis importados no Brasil.
A Prefeitura de Vitória acionou judicialmente a Sefaz para acessar dados sobre o cálculo do IPM do ICMS, alegando perdas na participação do repasse estadual. Desde 2023, a Serra lidera o índice (projeção de 14,88% para 2026), seguida de Vitória (10,75%) e Cariacica (10,03%).
Ao mesmo tempo, a Capital vive um ciclo histórico de obras: 448 grandes intervenções entre 2021 e 2025, somando quase R$ 2 bilhões em investimentos em urbanização, mobilidade, drenagem e revitalização de espaços públicos.
Para o setor de inovação e investimentos, o Espírito Santo é visto como um território de alto potencial, com todas as condições de se tornar um polo de tecnologia que dialoga com o Brasil e o mundo. Especialistas reforçam também que café, rochas ornamentais, celulose e turismo estão entre os polos com maior capacidade de atrair capital internacional.
Com 99,3% dos turistas afirmando que recomendariam o Estado, o Espírito Santo confirma sua força como destino turístico. Minas Gerais segue como principal emissor, e 38% dos visitantes são capixabas viajando dentro do próprio Estado, perfil que aquece gastronomia, hospedagem, varejo e economia criativa.
Mais renda, menos crédito: COPOM aponta desaceleração e reforça cautela no varejo
Às vésperas das datas comemorativas de fim de ano – Black Friday, Natal e Ano-Novo – o cenário conjuntural revela contrastes importantes para o comércio. A renda média real cresceu 4% no terceiro trimestre de 2025 ante o mesmo período de 2024, segundo o IBGE, e a confiança do consumidor começou a reagir após meses de retração. Porém, endividamento e inadimplência seguem elevados, segundo Banco Central e CNDL, exigindo concessão de crédito mais rigorosa por parte do comércio.
A ata do COPOM destaca a desaceleração da economia, com vendas ainda positivas no varejo restrito, mas queda de 0,3% no varejo ampliado no acumulado do ano. Com a SELIC mantida em 15% ao ano, operações de crédito e financiamentos perderam ritmo – cenário que limita consumo, especialmente em bens duráveis.
Apesar da desaceleração, o mercado de trabalho mantém resiliência, ponto visto pelo COPOM como fundamental para evitar contrações mais severas.
A inflação, por sua vez, apresenta trajetória mais benigna, fortalecendo a expectativa de que o período de juros elevados possa ser encurtado em 2026, o que traria novo fôlego para o comércio.
Em outubro, o Indicador de Reincidência da CNDL/SPC revelou que 84,48% das negativações foram de consumidores reincidentes. Desses: 63,70% não haviam quitado dívidas anteriores; 20,78% saíram do cadastro no último ano e retornaram; e 15,52% foram negativados pela primeira vez. O quadro reforça a necessidade de estratégias de crédito responsável e ações orientadas para recuperação financeira dos consumidores.
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