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Balanço do Comércio Capixaba #3: Economia do Espírito Santo é destaque no país

Mesmo fechando o semestre com desempenho acima da média nacional, tarifaço dos EUA acende alerta

Mesmo com a economia capixaba avançando em ritmo superior ao restante do país, o “tarifaço” dos Estados Unidos acendeu o sinal de alerta. O Espírito Santo é altamente dependente do mercado norte-americano: no primeiro semestre de 2025, o estado exportou mais de US$ 1,6 bilhão para os EUA – quase seis vezes o valor exportado para o segundo colocado – com destaque para produtos siderúrgicos, celulose, petróleo e café. A adoção de tarifas sobre esses produtos compromete seriamente a competitividade das empresas locais, podendo gerar queda nas receitas de exportação, perda de contratos e impactos severos sobre cadeias produtivas inteiras.

Além disso, do lado das importações, o Espírito Santo também pode sofrer consequências significativas. Os EUA são o segundo maior fornecedor de produtos para o estado, atrás apenas da China, com destaque para aeronaves, peças industriais e tecnologias de alto valor agregado. A escalada tarifária pode gerar reações do governo brasileiro com medidas de reciprocidade, o que encareceria ainda mais os insumos essenciais para setores estratégicos como logística, energia, construção civil e transporte.

O novo tarifaço, assinado por Donald Trump no dia 30 de julho, eleva em 40 pontos percentuais a tarifa de importação sobre produtos brasileiros, totalizando uma alíquota de 50%. A medida entra em vigor no dia 6 de agosto e impacta diretamente a balança comercial, atingindo setores centrais como café, carne bovina, frutas, calçados, têxteis e móveis. Produtos capixabas como o café e o petróleo figuram entre os mais vulneráveis. O setor cafeeiro, por exemplo, exportou quase US$ 2 bilhões para os EUA em 2024, e agora enfrenta um aumento de custo que deve ser repassado ao consumidor americano. Já a carne bovina, com mais de 500 mil toneladas embarcadas para os EUA, deve provocar perdas relevantes em receita. Frutas como manga, uva e açaí, assim como a indústria têxtil e calçadista, também devem perder competitividade no mercado norte-americano.

Por outro lado, cerca de 700 produtos foram poupados da tarifa, incluindo itens dos setores aeronáutico, automotivo, energético, eletrônico e parte da mineração e do agronegócio. Essa lista de exceções representa um alívio para empresas exportadoras de aeronaves, veículos, combustíveis, fertilizantes e componentes industriais, muitas delas com atuação direta no Espírito Santo.

A justificativa para o aumento tarifário ultrapassa questões econômicas: a ordem executiva assinada por Trump declara uma nova emergência nacional e acusa o governo brasileiro de ameaçar a segurança, a democracia e os interesses estratégicos dos EUA. O documento menciona diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e critica ações como a suposta perseguição a Jair Bolsonaro e restrições à liberdade de expressão.

Diante desse cenário de instabilidade política e econômica, especialistas da Connect Fecomércio-ES alertam para a necessidade urgente de diversificação de mercados, inovação nas exportações e fortalecimento do diálogo entre setor produtivo e poder público. Empresas capixabas terão de repensar contratos, rotas comerciais e fornecedores — e, em muitos casos, rever operações. O saldo comercial do Espírito Santo ainda é positivo (US$ 492 milhões), mas a manutenção do tarifaço pode comprometer empregos, investimentos e a estabilidade econômica regional.

Apesar do risco externo, o Espírito Santo se destacou no primeiro semestre de 2025 com crescimento expressivo no comércio, saldo positivo na balança comercial e geração recorde de empregos formais, principalmente no campo.

O varejo capixaba cresceu 6,5% em maio, o melhor desempenho do Sudeste e quase três vezes a média nacional (2,1%). Setores como vestuário (+28,9%) e cosméticos (+16,6%) puxaram as vendas, enquanto o campo gerou 7.294 novas vagas formais só em maio, impulsionado pela colheita do café conilon.

A confiança do empresário também subiu, e a inadimplência, embora em alta, avança abaixo da média nacional. O cenário é de otimismo moderado, com projeções positivas para o segundo semestre, apoiadas em datas comemorativas, turismo regional e ações de estímulo ao consumo.

Confiança do empresário do comércio sobe em junho

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), medido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), subiu 1,4% em junho deste ano, na terceira alta consecutiva, impulsionado principalmente pela melhora na percepção das condições atuais (+2,7%).

No entanto, a comparação com junho de 2024 ainda é negativa: o indicador geral recuou 3,7%, reflexo da queda na avaliação sobre a economia (-13,6%) e sobre as condições atuais (-7,3%). O destaque positivo foi a intenção de contratação de funcionários, com leve alta anual de 0,4%, impulsionada principalmente pelo setor de roupas e calçados (+3%).

Demanda por crédito

O cenário da busca por crédito no Brasil continua em retração, registrando uma forte queda de -14,11% na passagem de maio para junho de 2025. Na comparação anual, o volume de consultas pelo setor financeiro em junho de 2025 apresentou uma retração de -10,55% em relação a junho de 2024. Os dados são revelados pelo Indicador de Demanda por Crédito da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que monitora mensalmente a evolução das consultas de crédito no país.

Varejo nacional cresce, mas a inadimplência preocupa

Segundo dados do IBGE, as vendas do comércio varejista brasileiro cresceram 3% no acumulado dos últimos 12 meses até maio, enquanto o varejo ampliado registrou alta de 2,4%. Apesar do avanço, o ritmo foi menor que o registrado em 2024, impactado por fatores como inflação elevada (5,4%), alta dos juros (Selic em 15%) e endividamento das famílias, que chegou a 48,9% da renda. A inadimplência também preocupa: em junho, o número de negativados no país chegou a 71,3 milhões, alta de 7,7% em um ano.

Espírito Santo lidera crescimento no varejo no Sudeste

No Espírito Santo, o comércio registrou crescimento de 6,5% em maio de 2025 em relação ao mesmo mês de 2024, segundo a PMC/IBGE – o melhor desempenho da região Sudeste, muito acima da média nacional (2,1%). O índice de volume de vendas atingiu 107 pontos, o maior patamar para o mês em 20 anos. No acumulado de janeiro a maio, o avanço foi de 4,8%, consolidando o estado como destaque nacional no varejo.

Entre os segmentos com maior crescimento em maio estão:

  • Tecidos, vestuário e calçados: +28,9%
  • Artigos farmacêuticos, médicos e cosméticos: +16,6%
  • Materiais de escritório e informática: +15,5%
  • Hipermercados e supermercados: +4,1%

Agro impulsiona empregos formais no estado

O Espírito Santo registrou em maio a criação de 7.294 vagas formais, com 88% do saldo puxado pela agropecuária, especialmente pela colheita do café conilon, que abriu 4.477 vagas só no mês. Esse movimento gerou um fenômeno de “êxodo ao contrário”, com trabalhadores migrando das cidades para o campo. No acumulado de abril e maio, foram 7.942 vagas abertas no agro, o maior saldo da série histórica do Novo Caged.

Inadimplência capixaba avança, mas abaixo da média nacional

Em junho de 2025, o número de inadimplentes no Espírito Santo cresceu 4,71% em relação a junho de 2024, abaixo das médias do Sudeste (5,93%) e do Brasil (7,73%). O total de dívidas em atraso cresceu 9,7% no ano. A maior parte dos inadimplentes tem entre 30 e 39 anos (24,94%) e o valor médio das dívidas é de R$ 5.132,64. O tempo médio de atraso chegou a 29 meses, e o setor bancário responde por 69,10% das dívidas.

Outro dado preocupante: 86,34% das negativações no estado são de consumidores reincidentes, ou seja, que já haviam sido negativados nos últimos 12 meses. Desses, 64,31% ainda não haviam quitado dívidas anteriores. Já a recuperação de crédito caiu 5,52% no período, com valor médio das dívidas quitadas em R$ 2.850,89 – mais da metade dos consumidores regularizou débitos de até R$ 500.

Perspectivas para o segundo semestre

Apesar dos desafios, o comércio capixaba mantém projeção otimista para o segundo semestre, sustentado por datas comemorativas, estímulos ao turismo regional e políticas de incentivo ao consumo. Para André Spalenza, coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, “o desempenho do Espírito Santo reforça o papel estratégico do estado na economia nacional, com geração de renda, emprego e arrecadação, mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador”.

Confira de forma resumida:

Confiança do Empresário – Junho de 2025

  • Alta mensal: +1,4% (Brasil)
  • Queda anual: -3,7%
  • Destaque positivo: intenção de contratação no varejo de vestuário (+3%)

Desempenho do Varejo – Maio de 2025 (em relação a maio de 2024)

  • Espírito Santo: +6,5%
  • Sudeste: +1,7%
  • Brasil: +2,1%

Varejo acumulado – Janeiro a Maio de 2025

  • Espírito Santo: +4,8%
  • Sudeste: +1,7%
  • Brasil: +2,2%

Segmentos com maior crescimento no ES – Maio de 2025

  • Vestuário e calçados: +28,9%
  • Cosméticos e perfumaria: +16,6%
  • Informática e comunicação: +15,5%
  • Hiper e supermercados: +4,1%

Inadimplência – Junho de 2025 (12 meses)

  • Brasil: +7,7%
  • Sudeste: +5,93%
  • Espírito Santo: +4,71%

Destaques da inadimplência no ES – Junho de 2025

  • Faixa etária mais inadimplente: 30 a 39 anos (24,94%)
  • Valor médio das dívidas: R$ 5.132,64
  • 86,34% dos inadimplentes são reincidentes
  • Tempo médio entre dívidas: 74,5 dias
  • Recuperação de crédito: -5,52% (valor médio quitado: R$ 2.850,89)

Empregos formais – Maio de 2025 (ES)

  • Total de vagas criadas: 7.294
  • Participação da agropecuária: 88%
  • Municípios com destaque: Sooretama, Jaguaré, Nova Venécia

Comércio Exterior – 1º semestre de 2025 (ES x EUA)

  • Exportações para os EUA: US$ 1,62 bilhão
  • Saldo positivo na balança: US$ 492 milhões
  • Risco do “tarifaço” afeta setores como aço, papel, petróleo e café

Sobre o tarifaço de Trump e seus impactos no Brasil e no Espírito Santo:

  • Data do anúncio: 30 de julho de 2025
  • Entrada em vigor: 6 de agosto de 2025
  • Alíquota total aplicada: 50% sobre diversos produtos brasileiros
  • Total de exceções: cerca de 700 itens foram poupados da tarifa

Setores e produtos beneficiados com isenção

  • Aeronáutico: aeronaves completas, peças, motores, simuladores (beneficiando empresas como a Embraer)
  • Automotivo: veículos de passeio, SUVs, caminhões leves e autopeças
  • Energia: petróleo, gás natural, carvão, querosene, energia elétrica, lubrificantes e betume
  • Mineração e metais: silício, ferro-gusa, ouro, prata, estanho, ferronióbio, alumínio e cobre
  • Agronegócio (parcial): suco e polpa de laranja, castanha-do-brasil, madeira tropical, polpa de madeira, fios de sisal e fertilizantes
  • Eletrônicos: smartphones, antenas, equipamentos de som e vídeo
  • Outros itens isentos: bens em trânsito, produtos de uso pessoal, donativos e obras informativas (livros, filmes, CDs)

Produtos mais afetados pela nova tarifa

  • Café: prejuízo estimado para exportações que somaram US$ 2 bilhões
  • Carne bovina: 532 mil toneladas exportadas em 2024; impacto direto em empresas como Minerva, JBS e Marfrig
  • Frutas: afeta manga, uva, açaí e frutas processadas; mais de 1 milhão de toneladas exportadas em 2023
  • Têxteis e calçados: setores sem isenções relevantes, com expectativa de queda nas vendas e aumento de estoques
  • Móveis: apenas móveis aeronáuticos foram isentos; demais categorias serão taxadas

Justificativa política do governo americano

  • Trump declarou uma nova emergência nacional
  • Acusa o governo brasileiro de representar ameaça à segurança e democracia dos EUA
  • Cita diretamente o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de censura, perseguição política e abuso de poder
  • Medida inclui também o cancelamento de vistos de Moraes, seus aliados e familiares

Impactos específicos no Espírito Santo

  • Exportações aos EUA: mais de US$ 1,6 bilhão no 1º semestre de 2025 (quase 6 vezes o segundo colocado)
  • Principais itens exportados: petróleo, café, celulose e siderurgia
  • Importações dos EUA: aeronaves, peças industriais e tecnologia de alto valor agregado
  • Setores capixabas em risco: agronegócio, petróleo, calçados, móveis, siderurgia, construção civil, logística
  • Saldo comercial atual do ES: superávit de US$ 492 milhões
  • Alerta da Fecomércio-ES: empresas devem diversificar mercados, inovar e monitorar desdobramentos internacionais
  • Riscos imediatos: queda de receitas, perda de contratos, aumento de custos e redução de operações

Fontes: Fecomércio-ES, A Gazeta, G1, CNDL, IBGE e CNC. 

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