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Balanço do Comércio Capixaba #9: economia e comércio com cenário mais moderado este ano

Juros elevados, inflação em queda, incertezas fiscais e eleitorais devem impactar o comércio capixaba

A economia brasileira encerrou 2025 com crescimento moderado, sustentado principalmente pelo desempenho do agronegócio, dos serviços e pelo forte resultado do comércio exterior, que garantiu um superávit expressivo na balança comercial. Apesar do avanço do PIB ao longo do ano, o cenário foi marcado por juros ainda elevados, consumo mais cauteloso e desafios no ambiente internacional, o que limitou uma expansão mais acelerada da atividade econômica.

No Espírito Santo, o comércio mostrou sinais mais claros de retomada no último trimestre do ano. O varejo capixaba avançou 2,7% em outubro na comparação com setembro, registrando o melhor desempenho mensal desde abril e liderando o crescimento no Sudeste. O resultado superou com folga os indicadores do Brasil (0,5%) e da média regional (1,2%) e refletiu a retomada gradual do consumo das famílias às vésperas das principais datas comerciais. Na comparação anual, o volume de vendas ficou 2,3% acima de outubro de 2024, segundo análises do Connect Fecomércio-ES, com base na Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE.

O avanço das vendas, porém, ocorreu em um ambiente de pressão inflacionária mais intensa na Grande Vitória, que fechou 2025 com a maior inflação entre as capitais e regiões metropolitanas pesquisadas pelo IPCA, acumulando alta de 4,99% no ano. O índice, que acompanha a variação de preços em itens essenciais como alimentação, transporte, habitação e serviços, reforça o desafio enfrentado pelo comércio regional em 2025: conciliar crescimento da atividade com custos mais altos e impacto no poder de compra das famílias.

E para 2026, o que esperar?

As projeções para a economia brasileira neste ano indicam um cenário de crescimento mais moderado, com impactos diretos sobre o comércio. Estimativas de diferentes instituições apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar entre 1,5% e 1,8%, ritmo inferior ao observado nos últimos anos e que pode representar o menor crescimento desde o período pós-pandemia.

Entre os principais fatores que explicam essa desaceleração estão a manutenção dos juros em patamar elevado, o alto nível de endividamento das famílias e empresas e um ambiente de maior incerteza, típico de anos eleitorais. A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, deve começar a recuar apenas ao longo de 2026, mas ainda permanecerá em nível considerado restritivo, limitando o crédito, os investimentos e o consumo.

Comércio: atenção e resiliência

Para o comércio, o cenário exige atenção redobrada. O varejo mais dependente de financiamento, como os segmentos de bens duráveis, veículos e materiais de construção, tende a sentir com mais intensidade os efeitos do crédito caro. Já o varejo de itens essenciais e de menor valor agregado deve apresentar maior resiliência, sustentado pela renda ainda em crescimento moderado e por políticas de transferência de renda.

Ano de planejamento e eficiência

Diante desse panorama, especialistas avaliam que 2026 será um ano de planejamento e eficiência para o comércio. Estratégias voltadas ao controle de custos, à gestão de estoque, ao fortalecimento do relacionamento com o cliente e ao uso inteligente de dados e canais digitais ganham ainda mais relevância. A expectativa é de um ambiente mais desafiador, mas que também pode abrir espaço para oportunidades para empresas preparadas para atuar com cautela e visão de longo prazo.

Saiba mais sobre como foi o ano de 2025

Economia brasileira em 2025

– Crescimento econômico moderado ao longo do ano, com avanço do PIB sustentado principalmente pelo agronegócio, serviços e comércio exterior.

– Superávit expressivo da balança comercial, que ajudou a equilibrar o cenário macroeconômico.

– Ambiente econômico marcado por juros elevados, consumo mais cauteloso e desafios no cenário internacional, limitando uma expansão mais robusta da atividade.

Desempenho do comércio no Espírito Santo

– Varejo capixaba entrou no último trimestre com fôlego renovado, indicando retomada gradual do consumo.

– Crescimento de 2,7% em outubro na comparação com setembro, o melhor resultado mensal desde abril.

– Liderança no Sudeste, superando o desempenho do Brasil (0,5%) e da média regional (1,2%).

– Na comparação anual, o volume de vendas ficou 2,3% acima de outubro de 2024, segundo o Connect Fecomércio-ES, com base na PMC/IBGE.

Inflação e desafios regionais

– Grande Vitória registrou a maior inflação entre as capitais e regiões metropolitanas em 2025.

– IPCA acumulado de 4,99% no ano, acima de Porto Alegre (4,79%) e São Paulo (4,78%).

– Pressões concentradas em itens como alimentação, transportes, habitação e serviços, afetando o poder de compra das famílias.

– Principal desafio para o comércio: conciliar crescimento das vendas com aumento de custos e inflação elevada.

E o cenário econômico para 2026?

Projeções de crescimento do PIB:

Indústria (CNI):

– PIB deve crescer 1,8% em 2026, abaixo dos 2,5% estimados para 2025.

– Pode ser o menor crescimento em seis anos.

– Motivos: juros reais elevados, perda de tração da atividade e mercado de trabalho menos aquecido.

Banco Central (BC):

– PIB estimado em 1,6% em 2026 (ano eleitoral).

– Crescimento de 2025 revisado de 2% para 2,3%.

– Se confirmado, será o pior desempenho desde 2020.

– Projeção inferior à do governo federal (2,44% no Orçamento de 2026).

Mercado financeiro (Boletim Focus):

– PIB projetado em 1,8% em 2026.

– PIB de 2025 mantido em 2,25%.

Empresários e economistas (ACSP):

– PIB esperado em torno de 1,5% em 2026.

– Avaliação de um ano mais desafiador, com desaceleração até o primeiro trimestre.

Economistas (Antonio Lanzana – USP):

– PIB estimado em 1,8% em 2026.

– Crescimento menor puxado por juros altos, crédito mais restrito e endividamento elevado.

Política monetária e juros:

– Taxa Selic atual: 15% ao ano, maior nível em quase 20 anos.

Banco Central:

– Copom deve manter a Selic elevada por período prolongado.

– Corte esperado apenas em 2026, com efeitos defasados.

– Juros devem encerrar 2026 ainda em patamar restritivo.

Projeções para Selic:

– Fim de 2026: cerca de 12% a 12,25% (BC, mercado e CNI).

– Juros ainda não estimulativos, limitando consumo e investimento.

Inflação (IPCA):

Indústria (CNI):

– Inflação estimada em 4,1% em 2026.

– Queda gradual após pressão de alimentos e serviços.

– Alívio vindo de safra forte, valorização do real e demanda moderada.

Banco Central:

– 2026: projeção de 3,5% de inflação.

– 2027: 3,1%.

Mercado financeiro (Focus):

– 2026: inflação projetada em 4,10%.

– Quarto recuo consecutivo na estimativa.

Comportamento dos preços:

Alimentos:

– Excesso de oferta agrícola e queda nos preços de cereais e proteínas.

Serviços:

– Continuam pressionados por inércia salarial e mercado de trabalho ainda relativamente apertado.

– Reajustes sazonais (escolas, serviços públicos) mantêm pressão no curto prazo.

Setores da economia:

Indústria:

– Crescimento perde força com juros altos e crédito caro.

– Produção de bens de capital e consumo durável é a mais afetada.

– Indústria extrativa sustenta parte do crescimento, mas enfrenta riscos externos.

Varejo:

– Crescimento mais fraco em 2025 e 2026.

– Dependência do crédito limita expansão, apesar da renda ainda sustentando parte do consumo.

Agronegócio:

– Forte desempenho em 2025, mas menor impulso esperado em 2026.

– Preocupações com clima, preços internacionais e endividamento de produtores.

Riscos e desafios para 2026:

– Ano eleitoral com juros altos.

– Endividamento elevado de famílias e empresas.

– Desaceleração do mercado de trabalho.

– Menor arrecadação pode dificultar o cumprimento da meta fiscal.

– Cenário internacional mais incerto, com impacto sobre comércio e investimentos.

Estratégias para o comércio ter bons resultados em 2026

Planejamento financeiro rigoroso:

– Revisar custos fixos e variáveis com frequência.

– Preservar capital de giro e evitar endividamento desnecessário.

Gestão eficiente de estoque:

– Trabalhar com estoques mais enxutos e bem planejados.

– Priorizar produtos de maior giro e margem.

– Reduzir perdas e capital parado.

Foco na experiência do cliente:

– Investir em atendimento humanizado e personalizado.

– Facilitar trocas, pagamentos e pós-venda.

– Fidelizar clientes custa menos do que conquistar novos.

Diversificação de formas de pagamento:

– Oferecer alternativas como Pix, parcelamentos estratégicos e carteiras digitais.

– Avaliar com cuidado o parcelamento sem juros para não comprometer margens.

Uso inteligente de dados e indicadores:

– Acompanhar indicadores como tíquete-médio, taxa de conversão e recompra.

– Utilizar dados para decisões mais rápidas e assertivas.

Fortalecimento do relacionamento com o cliente:

– Criar ações de fidelização e comunicação direta (WhatsApp, e-mail, redes sociais).

– Manter presença constante, mesmo fora dos períodos promocionais.

Atenção ao mix de produtos:

– Ajustar o portfólio à realidade do consumidor, com opções mais acessíveis.

– Trabalhar linhas complementares e produtos de necessidade recorrente.

Aproveitamento de datas estratégicas:

– Planejar campanhas com antecedência (volta às aulas, Dia das Mães, Natal).

– Criar promoções inteligentes, evitando descontos excessivos.

Capacitação da equipe:

– Treinar vendedores para negociação, argumentação de valor e fechamento.

– Engajar a equipe com metas realistas e acompanhamento constante.

Digitalização e omnicanalidade:

– Integrar loja física e canais digitais.

– Usar redes sociais e marketplaces como apoio às vendas, não apenas como vitrine.

Parcerias e ações locais:

– Buscar parcerias com outros lojistas e entidades, como a CDL Vitória.

– Participar de campanhas coletivas para ampliar visibilidade e fluxo de clientes.

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