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Consumo cresce no Espírito Santo, enquanto inadimplência recorde pressiona o varejo no Brasil

O comércio capixaba segue, desde o começo de 2026, em um cenário de confiança elevada, crescimento moderado e transformação estratégica, refletindo um ambiente econômico que, embora mais equilibrado do que em 2025, segue positivo e cheio de oportunidades – e sustentado por uma base recente favorável, após o crescimento de 3,5% registrado no ano anterior.
Um dos principais sinais de otimismo vem do alto índice de confiança do setor, um dos maiores do Sudeste, indicando que empresários seguem confiantes na capacidade de consumo e na retomada consistente da economia.
Esse movimento é respaldado por dados concretos: em janeiro de 2026, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) no Espírito Santo atingiu 108,6 pontos, com alta de 1,8% no mês, mantendo-se acima da linha de otimismo (100 pontos).
Os indicadores mostram ainda um avanço consistente em aspectos centrais do consumo. O nível de consumo atual cresceu 7,5%, a perspectiva de consumo avançou 3,9% e o acesso ao crédito teve alta de 3,1%. Já em fevereiro, o ritmo se intensificou: o nível de consumo chegou a 107 pontos, com crescimento de 5,3% em relação a janeiro, o melhor resultado para o mês em nove anos.
Esse ambiente ajuda a explicar por que, mesmo diante de oscilações nas vendas no início de 2026, o varejo capixaba mantém uma trajetória de relativa resiliência, sustentado por uma demanda que segue ativa e por um consumidor ainda disposto a comprar, embora mais seletivo.
Por outro lado, ao olhar para o cenário nacional, há um ponto de atenção importante: o avanço da inadimplência. Segundo dados oficiais do Sistema CNDL/SPC Brasil, em fevereiro deste ano, o país atingiu 73,7 milhões de consumidores inadimplentes, o equivalente a 44,11% da população adulta. O número representa um crescimento de 10,22% em relação ao mesmo período de 2025.
Esse cenário evidencia um ambiente ainda desafiador para o equilíbrio financeiro das famílias e impacta diretamente o varejo. Com maior comprometimento da renda e dificuldade de acesso ao crédito, parte dos consumidores reduz ou adia compras, tornando o comportamento de consumo mais cauteloso – movimento que já se reflete nas oscilações observadas nas vendas em nível nacional.
Os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) reforçam essa leitura: o setor apresenta variações ao longo dos meses, indicando um consumidor mais atento ao orçamento e mais criterioso nas decisões de compra.
Nesse contexto, o comércio precisa ser ainda mais estratégico, com foco em preço, experiência e assertividade na oferta. A capacidade de adaptação ao novo perfil de consumo passa a ser um diferencial competitivo importante este ano.
No campo macroeconômico, o Espírito Santo começa o ano com um conjunto robusto de indicadores positivos. A indústria registrou alta de 14,5% em janeiro na comparação anual – o segundo maior crescimento do país –, impulsionada principalmente pelos setores de petróleo, gás e pelotização.
Esse desempenho tem efeito direto sobre o comércio, ao gerar empregos, renda e ampliar a circulação de recursos na economia local.
Outro destaque importante é o comércio exterior capixaba, que alcançou, também em janeiro de 2026, uma corrente de US$ 977 milhões. O resultado evidencia a força do estado nas relações internacionais e contribui para dinamizar diferentes cadeias produtivas que impactam o varejo.
No setor de comércio e serviços, a movimentação estimada em R$ 37,41 bilhões reforça o peso dessas atividades na economia capixaba e sua capacidade de manter o dinamismo ao longo do ano.
Apesar desse início positivo, a projeção de crescimento do PIB do Espírito Santo para 2026 é de 1,9%, indicando um ritmo mais moderado de expansão. O dado aponta para um cenário de maior estabilidade, mas que exige atenção redobrada na gestão de custos, eficiência operacional e planejamento estratégico.
Mudanças estruturais também impactam o funcionamento do setor. Desde março, supermercados e lojas de materiais de construção deixaram de operar aos domingos, conforme convenção coletiva, e seguem assim até outubro. A medida deve provocar ajustes nas estratégias comerciais e na distribuição do fluxo de consumidores ao longo da semana.
Em paralelo, tendências de consumo seguem se consolidando. Segmentos ligados à saúde, bem-estar e fitness permanecem em alta, refletindo um consumidor cada vez mais atento à qualidade de vida.
Diante desse conjunto de fatores, o cenário econômico combina otimismo local com cautela nacional. Enquanto o Espírito Santo apresenta indicadores positivos de consumo, atividade econômica e confiança, o avanço da inadimplência no Brasil funciona como um freio potencial ao crescimento do varejo.
Nesse contexto, o sucesso do comércio dependerá, sobretudo, da capacidade de adaptação, eficiência e leitura estratégica do comportamento do consumidor, que segue presente, mas mais exigente, seletivo e atento ao próprio orçamento.
Brasil (dados nacionais)
Varejo (jan/2026):
+0,4% frente a dezembro
+2,8% na comparação anual
+1,6% no acumulado em 12 meses
Varejo ampliado:
+0,9% no mês e +1,1% no ano
Segmentos (jan/2026):
Farmácias: +2,6%
Vestuário: +1,8%
Supermercados: +0,4% (mensal) / +2,9% (anual)
Combustíveis: -1,3%
Livros: -3,4%
Inadimplência (fev/2026):
73,7 milhões de consumidores negativados
44,11% da população adulta
+10,22% versus fev/2025
+0,71% versus jan/2026
Perfil da inadimplência (Brasil):
Maior concentração: 30 a 39 anos (18,01 milhões)
53,12% dessa faixa está inadimplente
51,35% mulheres e 48,65% homens
Dívida média (fev/2026):
R$ 4.992,43 por consumidor
2,29 empresas credoras por devedor
Distribuição das dívidas:
Bancos: 66,22%
Água e luz: 10,56%
Comércio: 8,67%
Espírito Santo (dados estaduais)
Varejo com oscilações no início de 2026
Crescimento de 3,5% em 2025 (base positiva)
Indústria (jan/2026):
+14,5% (2º maior crescimento do Brasil)
Comércio exterior (jan/2026):
US$ 977 milhões
PIB (2026):
+1,9% (projeção)
Comércio e serviços:
R$ 37,41 bilhões em movimentação
Consumo das famílias (ES):
Em alta no início de 2026
Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF):
108,6 pontos
+1,8% (mensal)
-3% (anual)
Acima de 100 pontos (zona de otimismo)
Destaques:
Consumo atual: +7,5%
Perspectiva de consumo: +3,9%
Acesso ao crédito: +3,1%
Fevereiro de 2026 (ES)
Nível de consumo: 107 pontos
+5,3% versus janeiro
Melhor fevereiro em 9 anos