Opinião da CDL sobre as mudanças no rotativo do cartão de crédito

Medidas contra os juros exorbitantes do crédito rotativo são necessárias, mas sem prejudicar empresas e famílias

Nas últimas semanas, o crédito rotativo tem sido assunto de destaque na agenda econômica brasileira. Para manifestar sua opinião a respeito desse assunto tão importante, a CDL Vitória foi convidada pelo Jornal A Tribuna para expressar seu posicionamento a respeito desse tema que impacta diretamente na vida das famílias, do comércio e da economia em geral.

Confira, abaixo, o artigo assinado pelo superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Vitória Wagner Júnior Corrêa, em artigo publicado no último dia 19 de agosto.

“O acesso ao crédito no Brasil é ainda um dos grandes entraves para um crescimento econômico mais sustentável. É preciso sim reduzir os juros exorbitantes e a inadimplência, principalmente na modalidade de crédito rotativo do cartão, conforme o Banco Central (BC) vem estudando, no entanto as medidas a serem adotadas não podem prejudicar o funcionamento das empresas, principalmente as de pequeno e médio portes, e muito menos impedir o poder de consumo das famílias.

Sabemos que a taxa média de juros do crédito rotativo cobrada pelos bancos está atualmente na casa dos 455% ao ano. E que no mês passado a inadimplência na modalidade ficou em 49,1%. No entanto, uma das medidas já cogitadas pelo governo, que seria as faturas de cartão de crédito não pagas irem diretamente para o sistema de parcelamento do cartão, com uma taxa mensal de juros próxima a 9% ao mês, não é solutiva. Afinal, é preciso sim corrigir o problema dos juros, mas sem criar outros.

O parcelamento sem juros no cartão também está sendo alvo de discussões. O fim dessa modalidade traria prejuízo a consumidores e comerciantes. Limitar os parcelamentos no cartão geraria uma queda nas vendas, afinal, muitas famílias só conseguem adquirir bens mediante parcelas mensais mais longas e a não incidência de juros facilita e é um atrativo para a efetivação da compra. Isso prejudicaria a economia como um todo.

O próprio ministro da Fazenda, Fernando Hadad, alertou para os efeitos sobre o varejo, que é um dos grandes propulsores da economia. Segundo ele, é preciso garantir proteção a quem está no crédito rotativo sem comprometer o varejo, que vende muito em parcelas sem juros no cartão de crédito.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também citou a possibilidade de um modelo de parcelamento que leve em consideração o tipo de bem a ser adquirido e o prazo da operação. Um bem mais caro, como uma geladeira, por exemplo, poderia ser pago em um número de parcelas maior que uma roupa, um bem não durável. Quanto maior o número de parcelas, maiores os juros pagos pelo consumidor.

Para o varejo, não é factível parcelar por produto. Um supermercado que vende diferentes produtos, desde a linha branca de eletrodomésticos até roupas, por exemplo, faria como?

Campos Neto pediu um prazo de  até 90 dias para o BC apresentar uma solução para o cartão de crédito. Vamos acompanhar de perto. Afinal, as iniciativas dos Poderes Executivo e Legislativo precisam ser bem transparentes para não prejudicar as empresas, que movimentam a economia e geram emprego e renda, e muito menos os consumidores, que dependem do crédito!”

Wagner Júnior Corrêa

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