Inteligência artificial: o varejo como você nunca viu.

Os 4 Ps do marketing do varejo estão prestes a sofrer uma revolução impulsionada pela Inteligência Artificial. Com a aplicação da ferramenta em diversas etapas do negócio, as decisões sobre Produto, Preço, Praça e Promoção se tornarão mais ágeis e tendem a ser cada vez mais assertivas já que as informações sobre o comportamento dos consumidores será, também, cada vez mais refinada.

A bem da verdade é que a AI (Artificial Intelligence) em termos de ciência é algo bem antigo. Para se ter ideia, Alan Turing, considerado o pai da técnica, morreu em 1954. E somente agora, mais de meio século depois, é que o tema entrou de maneira significativa na agenda de profissionais de marketing, vendas e estratégia.

O que mudou? Os smartphones

Hoje cada consumidor traz em sua mão, um aparelho com uma capacidade computacional superior a uma máquina que precisava de mil metros quadrados para ser instalada há algumas décadas.

Cada um desses devices com sensores que são capazes de coletar informações precisas de direção, movimentação, localização, pressão, além de de áudio, vídeo etc. E com um diferencial sobre qualquer os outros computadores: o consumidor leva o smartphone para qualquer lugar que vá.

Todas essas características aliadas à sua alta penetração na população –  um estudo recente da FGV indica que existem hoje cerca de 230 milhões de smartphones ativos no Brasil contra uma população de 209 milhões de pessoas –  permitiram uma coleta massiva de dados. E são justamente esses dados que são a matéria prima para a inteligência artificial.

Outro fator foi o desenvolvimento da computação em nuvem.  Esses parques tecnológicos com milhares de supercomputadores são capazes de coletar, tratar e armazenar um volume de dados antes inimaginável.

Foram essas as principais mudança que permitiram a criação da infraestrutura necessária para que a AI se tornasse aplicável em larga escala no mundo dos negócios, no ambiente real.

IA no varejo físico

Com essa infraestrutura instalada, a inteligência artificial está trazendo para o varejo físico uma inteligência que até pouco tempo atrás só era acessível ao e-commerce. Só que com detalhe que fará com que a aplicação no mundo físico seja ainda mais assertiva do que no digital: enquanto no ambiente online os consumidores têm um comportamento aspiracional, no real o comportamento das pessoas está de fato ligado ao seu padrão de consumo dentro e fora do seu estabelecimento.

Em outras palavras, as peças que faltaram para se aplicar a AI no varejo físico agora existem. Nesse cenário, começam a surgir suas aplicações que revolucionarão o varejo. Uma das mais relevantes é que agora é possível incrementar os serviços dentro das lojas e se estender a visibilidade do comportamento do consumidor para além de sua loja.

Dentro da loja, por exemplo, está acontecendo um refinamento do uso da AI. Hoje, além de usar a técnica para fazer contagem de quem entra e sai, é possível criar algoritmos para entender a popularidade dos produtos, o padrão de movimentação dentro da loja, o comportamento diante das gôndolas, o padrão de venda e de consumidores de determinada loja, região ou grupo.

VOCÊ VIU?

As iniciativas de Bradesco, Vivo e Magazine Luiza em inteligência artificial
Do iFood ao consultório médico: como a inteligência artificial está mudando o mercado

Tudo isso em uma velocidade de processamento do dados antes inimaginável e com o auxílio de machine learning que ajuda a encontrar padrões nesses dados para gerar insights de negócio aplicáveis.

Já fora da loja, começamos a ter dados de origem e destino: onde as pessoas estavam e para onde foram após visitar suas lojas. Quais concorrentes seus consumidores visitam e até quais são seus verdadeiros concorrentes. Quais estabelecimentos associados aos seus elas frequentam. Como se locomovem pela cidade. Qual a área de influência dos seus consumidores e, portanto, de sua marca.

Com isso, marcas ganham o poder de analisar o mercado, de entender as motivações das pessoas e tomar decisões de negócios mais fundamentadas. Um exemplo é a expansão de negócios.

Com a AI, a análise do lugar para abrir um novo estabelecimento ganha uma dimensão de informações muito mais precisas e detalhadas, amparadas por padrões vividos pelos seus consumidores ou consumidores de sua concorrência.

Estratégias de expansão de portfólio, precificação, promoções em loja: todas essas decisões de negócios passam a ser amparadas por dados mais relevantes. Ao analisar esse conjunto de informações que chegam agora em alta escala, com uma capacidade de processamento muito mais veloz e aplicadas ao mundo físico levarão o varejo a de fato colocar o consumidor no centro de suas decisões de negócio, por meio do conhecimento de como ele se comporta intuitivamente ou racionalmente no ambiente físico.

O poder será do varejo que estiver de fato aberto a fazer da satisfação do seu consumidor seu principal diferencial.

Finalizando, como não poderia deixar de ser, a AI traz um risco que pode ser e, na minha expressa opinião, deve ser evitado: invadir a privacidade das pessoas. A coleta, processamento e armazenagem de dados deve ser feita de maneira responsável.

É possível, sim, mapear o comportamento do consumidor sem atribuir àquele dado informações de nome, telefone, e-mail ou qualquer identidade civil. Ninguém precisa saber que eu sou o André, para me entregar conveniência. Entender o comportamento dos consumidores ajuda o varejo, invadir a privacidade de seus clientes destrói um direito da humanidade.

Fonte: Nova Varejo

5 dicas para o varejo em tempos de crise.

A ideia desta compilação surgiu devido ao ambiente desafiador que o Brasil vive, mas também por entender que as vezes podemos estar deixando de lado o B a Bá do varejo, o básico, o arroz com feijão. Diante de um cenário de incertezas, acompanhe nossas dicas!

1- Um olho na venda e outro no caixa.

Pode parecer bem simples,mas o foco somente na venda, não é a melhor idéia. Todo mundo já notou que o fluxo nos malls dos shopping e nas ruas de comércio mais movimentado em todo o país tem diminuído, consequentemente para as marcas que não estão bem presentes na cabeça do consumidor uma pequena queda nas vendas é inevitável, até ai não há novidades.

A diferença é que alguns varejistas já vinham observando isto faz mais de 1 ano e medidas de ajuste, cortes e todo tipo de redução de gastos já foram feitas, se este não é o seu caso não deixe de olhar com muita cautela para seus custos fixos e operacionais e mãos na tesoura. Faça isso hoje.

Todo o tipo de incentivo a equipe de vendas também é bem vindo, pois o salário do seu funcionário caiu na mesma proporção da redução de suas vendas, se este não é seu caso o incentivo vem em um momento em que a despesa de todos subiu e será muito bem recebido.

2- Manter um cliente frequente, é mais barato que conquistar um novo.

A reclamação do mau atendimento por parte de vendedores e gerentes dos mais diversos segmentos é ainda o padrão e não o contrário. O cliente hoje é em muitas ocasiões bem informado sobre o que quer , como quer, e qual preço quer pagar, avaliando assim se a relação valor x beneficio é justa.

Se não existe investimento na capacitacão das equipes fica difícil cobrar desempenho. A realidade de uma competição acirrada é a verdade do mercado hoje, e as vezes conhecer um pouco mais do seu produto, ter uma boa estória para contar , ser gentil são aspectos raros. Se possível surpreender, e ir um pouco além do atendimento tradicional com um mimo uma pequena delicadeza, que não seja nenhum beneficio financeiro, mais simplesmente a valorização deste cliente frequente, que no fim, é quem paga o grosso das contas da empresa. Como Pareto diz, 20% dos clientes resolvem 80% dos problemas.

3- O digital veio para ficar, mas gaste bem seu tempo antes de entrar.

Com certeza 100% das empresas e negócios , precisam de alguma forma manter sua presença digital. Seja através de um site , blog ou rede social, a análise deve ser feita cuidadosamente, se possível com a ajuda de especialistas.

A presença nas rede sociais é obrigatória porém qual rede social, mais indicada para os objetivos da empresa, qual a estratégia a ser usada e para qual publico ? Estas são perguntas que normalmente tem sido feitas somente ao final de experiências mal sucedidas.

A web é também um espaço onde reputacões podem ser criadas com muito trabalho , expertise e dinheiro, de outro lado os deslizes custam caro à reputação das marcas. Tenha calma e gaste seu tempo avaliando quem faz a diferença no seu segmento, e procure descobrir as melhores práticas.

4- O valor de uma boa experiência.

Que a maioria dos produtos virou comodities ( Feijão, minério, café..) parece que todo mundo já sabe . A dificuldade tem sido como demonstrar qualidades únicas e beneficios exclusivos quando tudo no mercado é igual, ou muito parecido.

Sem dúvida a marca tem um papel a cumprir, carregando os adjetivos que construiram uma reputação, mas o cliente parece estar ligando menos para isto.

Pegue você como exemplo, com certeza várias marcas fazem parte do seu guarda roupa mas, qualidade, estilo, durabilidade também já estão no universo das comodities, a experiência de marca ou de compra, desponta como um das estratégias que podemos e devemos controlar, sim uma obsessão.

Conhecer o seu cliente vai exigir mais do que todos os softwares de CRM ou AI do mercado entregam, mas as vezes um simples nome próprio, aumenta a sua chance de fechar uma venda. De volta ao básico, vire sua empresa para o cliente.

5- Cuide da motivação de toda a equipe.

Toda equipe de vendas tem seus altos e baixos, e o stress do dia a dia é em diversas ocasiões transportado para o salão de vendas, cotas não batidas, o desgaste das cobranças, e diversos outros motivos que não imaginamos, podem estar eliminando o moral das equipes.

Neste cenário o acompanhamento , a escuta paciente, a avaliação criteriosa da performance de todos com ferramentas eficientes, é imprescindível para definir o rumo e empurrar cada colaborador em direção aos seus objetivos.

Estímulos financeiros, caixinhas , concursos , jogos e a conversa cara a cara, são fundamentais para compreender o espírito , e o momento de cada um.

Você que é a locomotiva deste grupo, seja como gerente, supervisor, diretor ou dono, tem a oportunidade de ouvir e dar o exemplo positivo, mesmo nas mais adversas situações. Servir e dar o exemplo são ainda os mantras de quem inpira motivação.

PS: É justamente a possibilidade de realizar um sonho que torna a vida interessante, e diante das dificuldades, só deveremos ficar preocupados com a melhor maneira de seguir em frente.

Fonte: Portal Falando do Varejo

Abrir mão do smartphone prejudicaria a rotina de 77% dos jovens conectados, revela pesquisa CNDL/SPC Brasil.

Estudo aponta que 87% dos jovens de 18 a 24 anos acessam a internet todos os dias e 39% acreditam que não ter um smartphone prejudicaria lazer, estudo e trabalho

Mandar e-mail, pesquisar na internet, trocar mensagens instantâneas com amigos, tirar fotos, ouvir música e até mesmo fazer ligações. O smartphone se tornou um aparelho essencial na vida dos brasileiros, ao ponto de que muitos já não conseguem imaginar como seria a sua rotina sem essa ferramenta. Exemplo dessa necessidade, é que em cada dez jovens que possuem um smartphone, oito (77%) garantem que a sua vida seria prejudicada de alguma forma, caso não tivessem o aparelho. Nesse caso, as áreas mais afetadas seriam as atividades de lazer (39%), os estudos ou o trabalho (39%), a vida social (37%) e as finanças (21%).

De acordo com o estudo, oito em cada dez jovens brasileiros (84%) entre 18 e 24 anosnascidos dentro da chamada Geração Z, possuem um smartphone, enquanto 66% mencionam a posse de um notebook. Eles usam o smartphone, principalmente, para ouvir música (72%), acessar as redes sociais (71%), assistir à vídeos (67%), tirar fotos (63%) e ler ou enviar mensagens instantâneas para amigos (58%). A pesquisa ainda mostra que 87% dos jovens entrevistados acessam a internet todos os dias, principalmente por meio do smartphone (81%), opção bem mais à frente do que os que acessam a partir de um computador de mesa (51%) ou via notebooks (48%). Navegar na internet via smart TV e tablets é tarefa para 24% e 15%, respectivamente, dos jovens.

“A Geração Z não está apenas crescendo cercada pela tecnologia, mas sua visão de mundo e a maneira como constroem relacionamentos e interagem com o meio à sua volta parecem passar cada vez mais pelo uso de aparelhos móveis conectados. Eles não estão apenas ‘imersos’ no ambiente virtual, mas suas próprias vidas são, em parte, digitais”, observa o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), José César da Costa.

As informações foram levantadas em uma pesquisa conduzida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com o objetivo de analisar o comportamento e a relação dos jovens brasileiros da Geração Z com a tecnologia. A pesquisa integra o convênio Políticas Públicas 4.0 (PP 4.0), firmado entre o Sistema CNDL e o Sebrae, e pretende coletar insumos para a proposição de políticas públicas que contribuam com a melhoria do ambiente de negócios no país e, consequentemente, apoiem o desenvolvimento do varejo.

Internet é o meio mais utilizado para ficar informado sobre as notícias, mas compras ainda são concentradas nas lojas físicas

O ambiente on-line é o preferido da Geração Z, não apenas para buscar todo tipo de informação, mas também para estar em dia com as relações sociais e ampliar o círculo de amizades, bem como para lidar com compromissos financeiros.

Assim, em comparação ao meio físico, a internet é mais frequentemente utilizada para ficar informado sobre as notícias em geral (87%), buscar informações sobre produtos e serviços (82%), manter o contato com amigos e familiares (72%), conhecer pessoas (66%), fazer transações bancárias e pagar contas (58%) e fazer cursos (52%). As aquisições em geral, incluindo itens como roupas, sapatos e eletrônicos, contudo, ainda são feitas em sua maioria nas lojas físicas (58%).

“As redes sociais têm um importante papel de divulgação das informações sobre marcas, incluindo seus serviços, contatos, localização e recomendações. No meio desse mundo de usuários conectados, é preciso saber onde estão aqueles com quem a marca deseja realmente dialogar.”, acrescenta Costa.

Sites e aplicativos são os principais canais de compra on-line

A pesquisa também buscou entender como se comportam os jovens brasileiros desta nova geração em relação ao consumo. No que diz respeito às compras feitas pela internet, os meios mais utilizados são os sites de redes varejistas (61%), aplicativos (52%), redes sociais (31%) e o WhatsApp (26%). Os itens mais frequentemente adquiridos na internet pelos jovens são roupas, sapatos e acessórios (51%), eletrônicos (45%), livros (35%), jogos eletrônicos (32%), maquiagem cosméticos e perfumes (30%) e eletrodomésticos (26%).

97% dos jovens da geração Z utilizam redes sociais. Principais motivos são contato com familiares e amigos e se manter informado

O levantamento mostra que as redes sociais também servem como espaço de socialização e busca de informações variadas: 97% da Geração Z usam alguma rede social, com destaque para o WhatsApp (82%), o Facebook (79%), o YouTube (78%) e o Instagram (73%).

Dentre os principais motivos para utilizá-las estão manter contato com amigos e familiares (59%), ficar informado sobre notícias de assuntos diversos (54%), buscar informações sobre produtos e serviços (40%) e fazer amizades (32%).

Dividir momentos do dia-a-dia pela internet também é um hábito comum dos jovens: 84% daqueles que estão presentes em redes sociais admitem o costume de compartilhar conteúdo em seus perfis, sendo que 45% compartilham fotos e vídeos pessoais, 42% fotos e vídeos de terceiros que tenham gostado e 34% fazem posts pessoais.

“A internet tem contribuído para democratizar o acesso ao conhecimento e as redes sociais potencializam o alcance das informações, promovendo interações entre as pessoas, troca de experiências, a oportunidade de se expressarem e também de consumirem com mais facilidade e comodidade. Os jovens estão na vanguarda dessa transformação e vem moldando novos padrões de comportamentos, que todos acabam aderindo mais tarde. Grupos de mídia, varejistas, propagandistas ou até mesmos setores da educação, todos precisam se adaptar aos novos tempos”, afirma Costa.

Metodologia

A pesquisa ouviu 801 jovens brasileiros, com idade entre 18 e 24 anos, residentes em todas as capitais. Homens e mulheres pertencentes a todas as classes econômicas e escolaridades. Baixe a pesquisa na íntegra em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas.

Fonte: CNDL

Perda do emprego e redução da renda são principais causas da inadimplência no país, apontam CNDL/SPC Brasil.

Mais da metade dos entrevistados sabe pouco ou nada sobre a renda do próximo mês; 45% extrapolam limite do orçamento e 32% deixam de pagar alguma conta para comprar algo que desejam 

O cenário de dificuldades que ainda assombra a economia do país vem contribuindo para o alto endividamento dos brasileiros. É o que revela pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). E as principais causas da inadimplência entre os que tinham dívidas em atraso há mais de três meses da realização do estudo foram perda do emprego (30%) — que chega a 31% nas classes C, D e E —, redução da renda (29%), empréstimo do nome para terceiros (14%) e falta de controle financeiro (13%).

Considerando aqueles que se endividaram por descontrole ou por conseguirem crédito fácil, 36% disseram que compraram porque se fossem esperar sobrar dinheiro, demorariam para conseguir. Outros 33% quiseram aproveitar as promoções oferecidas pelas lojas, levando-os a contrair gastos extras sem avaliar o orçamento. Já 14% reconhecem não ter negociado bem os preços no momento da compra, enquanto 11% disseram estar tristes e, por essa razão, compraram mais do que o necessário para se sentir melhor.

O levantamento mostra também que muitos chegam até a negligenciar as despesas do dia a dia: 46% sabem pouco ou nada sobre o valor de suas contas básicas, como luz, água, telefone, aluguel, plano de saúde, condomínio e mensalidade escolar. Outros 53% admitem ter pouco conhecimento em relação à própria renda do mês, entre salários, recebimento de aluguéis e demais rendimentos. Já mais da metade (52%) desconhece o número total de parcelas das compras realizadas por meio do crédito.

“Apesar de a conjuntura econômica continuar afetando o bolso da população, tanto pelo desemprego elevado quanto pela diminuição da renda, ainda se vê o mau hábito do brasileiro em não controlar suas finanças. Boa parte da inadimplência é reflexo de uma falta de conscientização em controlar o quantose ganha e se gasta, provocando esse desequilíbrio no orçamento”, avalia o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

Estado emocional influencia inadimplência: 42% passavam por problemas financeiros e 14% foram levados pela ansiedade

Além da falta de planejamento financeiro, o estado emocional diante de determinadas situações pode influenciar negativamente o orçamento. Ao investigar o que contribui para um desequilíbrio nas contas do ponto de vista emocional, a pesquisa constatou que o fator número um está ligado aos problemas financeiros (42%). Em seguida, 14% dos entrevistados mencionaram a ansiedade e 12% citaram a insatisfação ou problemas no trabalho como responsável por esse tipo de comportamento. Outros 9% contraíram dívidas enquanto passavam por dificuldades no relacionamento familiar. Por outro lado, 24% disseram não estar vivenciando nenhum problema emocional no período em que se endividaram.

Apesar dos transtornos provocados pela inadimplência, poucos são os que se mostraram dispostos a adotar novos hábitos para uma vida financeira saudável. Entre os que se endividaram por descontrole ou compras por impulso, 47% reconhecem não ter feito nada para mudar de atitude. Metade desses alega não considerar o problema tão grande (52%), enquanto 34% argumentam que este hábito faz parte do seu jeito de ser e que nunca irão mudar. Já 11% afirmam que a situação não provoca nenhum tipo de incômodo. Em contrapartida, 53% tentaram mudar sua atitude para evitar gastos desnecessários.

Além disso, questionados sobre como lidaram com a situação, seis em cada dez (66%) revelam que não buscaram qualquer ajuda para resolver suas dificuldades com o controle das contas. Nesse caso, 58% justificaram a decisão dizendo serem capazes de resolver os problemas sozinhos, ao passo que 24% afirmaram não ter dinheiro para contratar ajuda profissional e 18% não sabiam a quem recorrer. Apenas um terço (34%) disse ter tomado algum tipo de providência, dos quais 62% pediram apoio a um amigo ou parente para organizar as contas, 19% procuraram ajuda profissional e 16% algum tipo de auxílio psicológico para ter mais controle sobre as compras e o orçamento. Outros 41% disseram ter tentado ajuda após outras medidas sem sucesso.

45% extrapolam o orçamento e 32% admitem às vezes deixar de pagar alguma conta para comprar algo que desejam

A impulsividade, motivada pelo desejo de adquirir um produto ou serviço sem pensar no impacto nas contas mensais, pode colocar em risco o equilíbrio do orçamento. Nesse aspecto, a pesquisa aponta certa contradição entre os inadimplentes ouvidos. Sete em cada dez (70%) entrevistados garantem que costumam avaliar os custos de serviços ou assinaturas para ver se podem cortá-los e 68% dizem planejar antes de fazer alguma compra.

Entretanto, nos últimos três meses, 33% fizeram compras, mesmo sabendo que seria difícil pagá-las, ao passo que 24% compraram sem pensar se conseguiriam pagar ou não e 17% fizeram aquisições sabendo que não teriam como pagar. Além disso, 45% declararam gastar mais do que o orçamento permite e 44% quase sempre costumam ceder aos desejos e impulsos quando querem muito comprar alguma coisa.

Ainda de acordo com o levantamento, a imprudência de alguns consumidores chega a tal o ponto em que se negligencia o pagamento de compromissos para satisfazer uma vontade:32% admitem que às vezes deixam de pagar uma conta para comprar algo que se deseja. Além disso, 36% reconhecem que nos dias em que não estão muito bem acabam comprando coisas não planejadas para se sentirem valorizados.

“O consumo como mecanismo de alívio emocional é uma armadilha perigosa por proporcionar apenas uma satisfação temporária. No dia seguinte os problemas continuam os mesmos, com a diferença de que agora há mais um compromisso a pagar, mais uma dívida pressionando o orçamento. Nesses casos, uma alternativa seria ter acompanhamento psicológico para detectar os motivos que levam a pessoa a buscar, nas compras, o conforto e a autoestima que ela tanto procura”, orienta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Metodologia

A pesquisa ouviu 600 consumidores com contas em atraso há mais de três meses acima de 18 anos, de ambos os gêneros, de todas as classes sociais e que residem nas 27 capitais do país. A margem de erro é de no máximo 3,4 pontos a um intervalo de confiança de 95%.

Baixe a pesquisa na íntegra em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas.

Fonte: CNDL

Seis em cada dez internautas fizeram compras por meio de aplicativos de loja no último ano, aponta estudo CNDL/SPC Brasil .

Facilidade de acesso e ofertas mais atraentes estão entre principais vantagens apontadas. 33% dos consumidores digitais adquiriram produtos e serviços pelas redes sociais, enquanto 18% realizaram alguma compra pelo WhatsApp

Os brasileiros vêm se rendendo, cada vez mais, às compras de produtos e serviços por meio de smartphones. É o que aponta um estudo realizado em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Só nos últimos 12 meses anteriores à pesquisa, seis em cada dez (61%) internautas fizeram alguma compra usando aplicativos de lojas.

Para os entrevistados, a facilidade de acesso é o que mais estimula a comprar via app (52%), uma vez que a aquisição pode ser realizada pelo próprio celular, de qualquer lugar. Outras razões apontadas são praticidade e rapidez (46%), oferta de produtos ou serviços com melhores preços (41%), além da possibilidade de organizar as compras de acordo com interesses e gosto pessoal (26%).

Quanto aos produtos mais comprados pelos internautas via aplicativos de loja nesse período, os eletrônicos e itens de informática (39%) lideram o ranking — percentual que chega a 50% entre os homens. Em seguida aparecem contratação de serviços de transporte particular (37%), vestuário (32%), itens para casa (31%) e pedidos de comidas ou bebidas por delivery (26%).

“A economia em torno da indústria dos aplicativos deverá crescer de forma exponencial nos próximos anos e o varejo precisa estar de olho nessa tendência, principalmente diante desse novo cenário em que a preferência dos consumidores por apps de lojas vem aumentando. É o momento de as marcas construírem relacionamentos mais próximos a seus clientes e entenderem melhor sobre seus hábitos de consumo, suas necessidades e preferências”, analisa o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

33% dos entrevistados compraram pelas redes sociais; roupas, eletrônicos e comida por delivery foram os itens mais adquiridos   

Outra tendência que vem sendo percebida é o peso das redes sociais na decisão de compra dos brasileiros. Impactados pelos anúncios de grandes varejistas e até mesmo pequenas lojas, um terço dos entrevistados (33%) disse ter adquirido produtos e serviços pelas redes sociais nos últimos 12 meses anteriores à realização da pesquisa. Entre as principais razões, destacam-se rapidez e praticidade (37%), grande volume de ofertas e promoções vindas dos lojistas (36%), preços mais atrativos em relação ao mercado (32%) e melhor interação com o canal de atendimento dos anunciantes (28%).

A pesquisa também mostra que os itens de vestuário (37%) foram os mais adquiridos pelas redes sociais, percentual que chega a 44% entre as mulheres. Já os eletrônicos e produtos de informática (27%) ficaram em segundo lugar no ranking, empatados com os pedidos de comida e bebida por delivery (27%). Na sequência aparecem os cosméticos, perfumes e produtos para cabelo (26%), além de itens para a casa (26%), como eletrodomésticos, decoração, cama, mesa e banho.

“O consumidor quer ter acesso a canais de compra que permitam escolher o que for mais conveniente. Isso significa que o varejo precisa continuar desenvolvendo experiências que atraiam os consumidores e promovam o engajamento. Ou seja, é fundamental reduzir cada vez mais a distância entre o varejo físico e comércio online”, afirma Pellizzaro Junior.

Em cada dez internautas, dois realizaram alguma compra pelo WhatsApp, 54% tiveram retorno rápido ao se comunicar com lojas

Aplicativo com maior número de usuários no país, o WhatsApp extrapola a comunicação pessoal e em grupo. Dados do levantamento revelam que em cada dez consumidores entrevistados, dois (18%) realizaram alguma compra pelo aplicativo nos 12 meses anteriores à pesquisa. Por outro lado, 82% não fizeram nenhuma compra neste período. Entre os motivos pelos quais utilizaram o WhatsApp para consumo, 40% afirmaram que o processo é mais fácil e rápido se comparado com as transações feitas pessoalmente ou por telefone. Já 35% gostam da facilidade em acessar o histórico das informações armazenadas e 26% mencionam a possibilidade de receber imagem e vídeos dos produtos e serviços.

Ainda considerando os que usaram o aplicativo para compras, 54% destacaram o retorno rápido na maioria das vezes em que se comunicaram com a loja ou o prestador de serviços. Apesar disso, enquanto 20% não obtiveram nenhum tipo de resposta, outros 20% garantem que na maioria das vezes o retorno foi demorado e apenas 6% ficaram sem nenhum retorno por diversos momentos.

No geral, 78% dos consumidores ouvidos acreditam que o WhatsApp é uma boa forma de as empresas se comunicarem com clientes, principalmente para tirar dúvidas ou receber suporte técnico (58%), agendar horários de atendimento (35%), enviar promoções (31%) e comprar produtos ou serviços (20%).

Dentre os consumidores que não fizeram uso do WhatsApp para comprar ou trocar informações com lojas e vendedores, a principal justificativa mencionada é o fato de sempre terem conseguido resolver o que precisava no site ou aplicativo da empresa (41%). Já 32% afirmam não gostar de ser incomodados por empresas, já que a ferramenta é adotada apensa para uso pessoal, e 24% não confiam no WhatsApp por terem medo de sofrer golpes.

66% dos consumidores que conhecem aplicativos de entrega já usaram ou ainda utilizam o serviço   

Ao reunir diversas lojas em um único lugar, uma espécie de ´shopping-center virtual´, os marketplaces se transformaram em uma boa alternativa de compras para os consumidores digitais. De acordo com a pesquisa, nove em cada dez (91%) internautas reconhecem vantagens de comprar nesse tipo de comércio online. Os principais benefícios citados são maior variedade de produtos (48%), melhor preço (47%), maior disponibilidade dos produtos (43%), frete mais barato (31%) e garantia de solução em caso de problema com lojista ou produto (27%). Em contrapartida, 9% não veem vantagem em comprar em marketplaces.

Por fim, entre os consumidores que afirmaram conhecer empresas de entrega sob demanda por aplicativos, 66% disseram já ter comprado pelos apps em seu dia a dia, enquanto 34% ainda não. Para os que costumam contratar esses serviços, a maioria (90%) usou para compra de comida delivery. Outros 18% adquiriram itens de farmácia, supermercado e petshop, enquanto 7% solicitaram busca ou entrega de documentos.

Metodologia

A pesquisa ouviu 904 consumidores em um primeiro levantamento para identificar o percentual de pessoas que compraram pela internet nos últimos 12 meses. Em seguida, continuaram a responder o questionário 800 consumidores que fizeram alguma compra ao longo deste período. A margem de erro é de 3,3 p.p no primeiro caso e 3,5 p.p no segundo, para um intervalo de confiança a 95%. . Baixe a pesquisa na íntegra em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas.

Fonte: CNDL.

Três dores das empresas de produtos e serviços ao varejo.

Nós vivemos em um mundo onde os padrões de relação entre marcas e consumidores vêm se alterando com velocidade e intensidade cada vez maiores, com a capacidade de transformar quase tudo o que entendemos até hoje sobre o mercado de varejo e consumo em períodos cada vez mais curtos.

Das relações de consumo simples, como o ambiente de loja e seu atendimento, questões como meios de pagamento, gestão de negócios cada vez menos suscetível a erros ou excessos, e a própria visão do que deve ser um ponto de venda, vêm evoluindo e se transformando de uma maneira como nunca aconteceu antes. A tendência é aumentar ainda mais esse ritmo de transformação.

Nesse contexto, oferecer produtos e serviços ao varejo tem sido um constante desafio para as empresas. Mesmo que sejam vistas como protagonistas dessas mudanças, oferecendo ao mercado novas tecnologias e soluções, há um desafio competitivo gigantesco.

É necessário se manter na vanguarda e, ao mesmo tempo, não perder o contato ou o ritmo de evolução de seu mercado – este último considerando não somente seu mercado externo, ou seja, seus clientes, mas também seu mercado interno.

Uma das dores das empresas tem sido acompanhar o ritmo de mercado e suas evoluções. É o que chamamos de: dor de ENTENDER O MERCADO.

Parece simples, principalmente em um mundo onde o que não falta hoje são canais e meios para se tornar atualizado. O desafio das empresas está em conseguir manter de forma geral um ritmo de atualização de conceitos e criação que não se perca em meio ao furacão do cotidiano.

É comum vermos empresas em seus mais variados campos que, embora tenham pessoas que de forma isolada, até mesmo em postos de alta diretoria, estejam completamente atualizadas em seu mercado, tenham a dificuldade de colocar na agenda diária da empresa espaço para a discussão e criação de novas oportunidades. Isso faz com que muitas empresas percam o ritmo de conexão com o seu mercado e suas principais dores.

A segunda dor é sobre ATUALIZAR EQUIPES. Partindo das empresas que mantém um ritmo de inovações interessantes, a dificuldade está em disseminar tudo o que a empresa vem criando e pode oferecer ao mercado. Partindo obviamente do time de vendas, que se ao mesmo tempo deveria ser o grande disseminador das novidades da empresa, por vezes também é seu verdadeiro calcanhar de Aquiles, seu ponto de fraqueza.

Por vezes, uma solução que levou tempo e investimento para chegar ao seu produto final, chega com um valor menos importante se comparada às principais soluções da empresa, e é até mesmo completamente negligenciado pelos times de venda, mais preocupado em bater a meta do que em ajudar a evoluir ou transformar o negócio de seus clientes.

A terceira dor, e uma das mais difíceis de trabalhar, é de ATUALIZAR O MERCADO. Mesmo que sua empresa hoje seja eficiente em se manter focada em se atualizar ou atualizar as equipes, há uma dor gigantesca em atualizar seus clientes sobre suas soluções ou serviços.

Mesmo que conte com o time de vendas ou divulgações para que isso ocorra, eventos ou workshops têm se mostrado uma excelente ferramenta para que mais do que atualizar, ajudar a engajar seus clientes no processo de atualização, e auxiliando para que esse processo também se traduza em conversões de vendas.

O mercado está evoluindo de forma intensa e estamos auxiliando as empresas na condução dessa transformação com seu mercado e até mesmo com seu próprio time. Resolver essas dores em meio a tantas outras do próprio negócio, como a busca por vendas, a gestão do negócio, a contratação de times eficientes, entre outras, é um enorme desafio.

Mas é algo que só pode ser de alguma forma curado com atitude e foco com a mesma intensidade e velocidade com que as transformações hoje ocorrem.

Fonte: Mercado e Consumo.

Acordo com credor é estratégia para 35% dos inadimplentes que planejam ‘limpar o nome’, revela pesquisa CNDL/SPC Brasil.

75% comprometeriam pagamento de contas básicas se usassem seus rendimentos para zerar dívidas. Estudo mostra que perfil do inadimplente brasileiro é formado por mulher, de 38 anos, com ensino médio e que recebe, em média, pouco mais de R$ 2.300; 55% planejam pagar dívida nos próximos três meses

Quando a dívida já não cabe mais no bolso e as chances de pagá-la ficam cada vez mais distantes, procurar o credor para renegociar o débito acaba sendo a alternativa mais utilizada. Uma pesquisa feita em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que entre os consumidores inadimplentes que pretendem regularizar sua situação pelos próximos três meses, 35% querem tentar um acordo com o credor para parcelar o valor do débito. No total, 55% dos consumidores com contas atrasadas acreditam que terão condições de regularizar as dívidas, sendo que 35% pretendem pagar integralmente e 16% parcialmente. Por outro lado, 45% dos inadimplentes não se veem em condições financeiras de quitar suas dívidas em um horizonte de três meses.

Exemplo dessa dificuldade, é que caso utilizassem seus rendimentos para zerar as dívidas, 75% dos entrevistados comprometeriam o pagamento de contas básicas. Somente 21% garantem ter uma mais situação confortável diante desse cenário.

Na avaliação do educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, é importante analisar a dívida e as próprias condições financeiras antes de propor um acordo. “A primeira coisa a fazer é traçar um diagnóstico de receitas e despesas. O segundo passo é cortar todos os gastos desnecessários, dando atenção às dívidas com juros mais pesados, como cheque especial ou cartão de crédito. Renegociar com o credor é uma opção que vale a pena tentar. Outra alternativa é trocar a dívida por uma linha de crédito mais barata ou tentar a portabilidade em outro banco. De qualquer maneira, o consumidor deve estar preparado, tendo em mente o quanto deve, já considerando os juros, e quanto ele consegue pagar por mês para sair dessa situação”, orienta Vignoli.

Três em cada dez inadimplentes vão cortar orçamento para pagar dívidas em atraso e 24% vão procurar bicos

A resistência em cortar despesas e em rebaixar o padrão de consumo são alguns dos erros mais comuns para quem precisa sair do vermelho. No entanto, a pesquisa revela que fazer cortes no orçamento é a segunda alternativa mais citada pelos inadimplentes que planejam regularizar suas dívidas (28%), inclusive com um aumento de nove pontos percentuais na comparação com o ano passado.

A terceira estratégia mais citada é recorrer a um bico ou trabalho extra (24%), seguida dos que que esperam contar com o pagamento de empréstimos feitos a terceiros (12%). Outras opções que cresceram em um ano são vender um bem (9%) e substituir a dívida por um empréstimo que cobra juros mais baixos (4%).

Para quem vai economizar para conseguir pagar as dívidas, os principais cortes deverão ser nas despesas com lazer (33%), deixar de comprar roupas e calçados (28%), diminuir ou eliminar alimentação fora de casa (27%) e evitar gastos com produtos de beleza (20%).

“Uma atitude importante para quem quer organizar a vida financeira é reconhecer a necessidade de mudar hábitos que colocam o bolso em risco e se reeducar financeiramente. Dois graves erros são subestimar os pequenos gastos, que passam despercebidos no dia a dia e ceder às compras por impulso”, analisa o educador financeiro José Vignoli.

Na avaliação dos entrevistados, os principais empecilhos para quitar as dívidas em atraso e colocar a vida financeira em ordem é não sabe de onde tirar dinheiro para pagar as dívidas (28%), o fato de estarem desempregados (23%) e a queda na renda (20%).

Para 58%, dívidas atrasadas superam metade da renda; aluguel e plano de saúde são contas mais priorizadas

Segundo a pesquisa, em cada dez inadimplentes, seis (58%) possuem dívidas em atraso que superam ao menos metade dos seus rendimentos mensais e para 23%, as dívidas igualam ou extrapolam o seu salário.

Considerando o pagamento de contas e prestações que não necessariamente estejam em atraso, 60% estão com pelo menos metade da própria renda comprometida com o pagamento desses compromissos, fato que ilustra a dificuldade que muitos enfrentam em colocar a vida financeira em ordem. No geral, os principais compromissos financeiros dos inadimplentes, estejam eles em dia ou não, são as contas de água e luz (59%), parcelas de cartão de crédito (57%) e crediário em lojas (52%). Há ainda 48% que possuem contas de telefone e 33% que pagam internet e TV por assinatura.

A pesquisa ainda revela que a escala de prioridades do consumidor é encabeçada pelas despesas consideradas mais importantes para a vida diária. Os compromissos financeiros que os inadimplentes mais pagam em dia são o aluguel (84%), plano de saúde (82%) e condomínio (78%). Outras contas que os inadimplentes têm procurado manter quitadas na maior parte das vezes são as com TV por assinatura e internet (73%) e também contas de água e luz (72%).

Empréstimo é compromisso que mais gerou negativação; faturas de cartão de crédito estão atrasadas, em média, há um ano e oito meses

Os empréstimos em bancos ou financeiras (69%), os crediários em lojas (68%) e as faturas atrasadas de cartão de crédito (67%) despontam como os tipos de contas que mais deixaram os inadimplentes com o ‘nome sujo’. Há ainda 52% de pessoas que ficaram nessa situação após entrarem no cheque-especial ou por atrasarem o pagamento do financiamento de automóvel.

A pesquisa investigou também os compromissos que estão em atraso, mas que ainda não geraram uma negativação do CPF. Nesse caso, ganham destaque os empréstimos com amigos e parentes (33%) e as mensalidades escolares (26%).

Para quem ficou inadimplente por causa do mau uso do cartão de crédito ou do crediário, os itens mais adquiridos foram roupas, calçados e acessórios (45%), gastos em supermercados (25%), aquisição de eletrodomésticos (18%), eletrônicos (17%) e smartphones (17%).

O levantamento demonstra que o endividamento costuma ser um processo gradativo, em que o descontrole financeiro vai produzindo efeitos cumulativos no tempo. Entre as contas de maior tempo médio de atraso, o destaque fica com os empréstimos em bancos e financeiras, que estão atrasadas, em média, há 23 meses. Depois aparecem cheque especial (22 meses sem pagar), crediário em lojas (21 meses em atraso) e faturas do cartão de crédito (20 meses em aberto).

Perfil do inadimplente: mulher, de 38 anos, com ensino médio e que recebe, em média pouco mais de R$ 2.300

A análise socioeconômica da pesquisa revela que a concentração de inadimplentes no Brasil é expressivamente maior entre os brasileiros das classes C, D e E (94%), sendo que em média, cada inadimplente recebe R$ 2.335,32 por mês. Além disso, oito em cada dez (79%) brasileiros com contas em atraso ganham no máximo três salários mínimos.

No geral, 58% dos inadimplentes no Brasil são mulheres, ao passo que 42% homens. A idade média é de 38 anos e tendo em sua maioria, mais de três pessoas morando na mesma casa, predominantemente na região Sudeste (46%) e Nordeste (24%). Outra constatação é que 80% dos inadimplentes têm no máximo o ensino médio completo e outros 20% concluíram ou estão cursando o ensino superior.

“Embora mais presente nas classes de menor poder aquisitivo, a inadimplência e o descontrole financeiro não são uma exclusividade das classes mais baixas. Em geral, quem recebe salários altos também tem acesso mais fácil ao crédito e, consequentemente, mais chances de se endividar. Ganhar muito, mas gastar além de suas possibilidades é um típico exemplo de má gestão financeira”, alerta Vignoli.

Metodologia

A pesquisa ouviu 600 consumidores com contas em atraso há mais de três meses acima de 18 anos, de ambos os gêneros, de todas as classes sociais e que residem nas 27 capitais do país. A margem de erro é de no máximo 3,4 pontos a um intervalo de confiança de 95%. Baixe a pesquisa na íntegra em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas.

Fonte: CNDL

Mais de 12 milhões de consumidores sofreram alguma fraude financeira nos últimos 12 meses, aponta pesquisa CNDL/SPC Brasil.

Não receber item comprado, produto ou serviço diferente das especificações da venda e clonagem de cartão despontam como as fraudes mais comuns. Perda de tempo e burocracia para provar que estão com a razão são principais dificuldade, avaliam vítimas. Prejuízos gerados equivalem a R$ 1,8 bilhão

Sejam consumidores, empresas ou governos, as fraudes financeiras representam um risco para a segurança de diversos setores da economia. E com o avanço tecnológico, as oportunidades e os métodos para fraudar também vêm se tornando cada vez mais sofisticados, causando danos financeiros em um número cada vez maior de pessoas. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 46% dos internautas brasileiros foram vítimas de algum tipo de golpe financeiro nos 12 meses anteriores ao estudo, o que equivale a um universo aproximado de 12,1 milhões de pessoas.

Na avaliação do presidente da CNDL, José Cesar da Costa, é importante que o consumidor tome cuidados básicos para evitar transtornos com as fraudes e desconfie de facilidades ofertadas. “O comércio eletrônico tem crescido consistentemente no Brasil, em grande medida, devido a uma combinação entre diversidade, preços competitivos, comodidade e segurança nos mais diversos segmentos de consumo. Entretanto, muitas pessoas não tomam os cuidados necessários nas transações on-line o que contribui para que sejam enganadas. São comuns, por exemplo, ofertas com valor muito abaixo da média praticada no mercado, o que já mostra um indício de que pode ser se tratar de tentativa de golpe”, alerta o Costa.

Prejuízos gerados pelas fraudes equivalem a R$ 1,8 bilhão; quase um quarto das vítimas perdeu documentos pessoais

Pouco mais da metade (51%) dos entrevistados afirma ter sofrido algum prejuízo financeiro com a fraude, sendo o valor médio do dano de R$ 478,00. A estimativa é de que o prejuízo total decorrente de fraudes financeiras nos 12 meses anteriores à pesquisa chegue a cerca de R$ 1,8 bilhão. Dentre os fatos que antecederam a fraude, a pesquisa revela que os mais comuns foram perda de documentos pessoais (24%), roubo, assalto ou furto (21%), perda de cartão de débito ou crédito (18%) e fornecimento acidental de dados pessoais para terceiros por telefone, e-mail, WhatsApp ou em sites (13%).

Considerando aqueles que disseram ter fornecido acidentalmente dados pessoais ou cópias de documentos pessoais para terceiros, 40% cadastraram seus dados em sites falsos de promoção, 39% se inscreveram em suposta vaga de emprego, 22% realizaram compra em site falso sem perceber, 21% receberam um contato telefônico de uma pessoa se passando por funcionário da instituição financeira, 18% receberam notificação falsa para quitação de débito e 18% receberam falso e-mail de banco ou empresa pedindo atualização de dados cadastrais ou bancários.

Oito em cada dez consumidores acreditam serem passíveis de algum tipo de fraude

Diante dessa vulnerabilidade, as fraudes mais sofridas pelos entrevistados foram o não recebimento de produto comprado (52%), compra de um produto ou serviço diferente das informações especificadas pelo vendedor (42%), cartão de crédito ou débito clonado (25%), contratação de serviços ou compra indevida de itens usando documentos falsos, perdidos ou roubados da vítima (14%), transações financeiras em conta bancária sem autorização (13%) e pagamento de serviço não realizado (11%).

Entre os serviços contratados e não realizados, 32% contrataram o serviço de falsa agência de emprego, 24% de uma empresa de renegociação de dívidas, 22% de organizadores de festas e 22% de limpeza de nome negativado.

Já para quem teve produtos ou serviços adquiridos em seu nome, usado em documentos falsos, perdidos ou roubados, as ações criminosas mais comuns foram a contratação de pacotes de internet (29%), TV por assinatura (29%), linha de telefone celular (25%), empréstimo (24%) e crediário (17%).

Dentre as principais dificuldades enfrentadas para se proteger das fraudes estão o fato de não saberem se um site é confiável e seguro para transações financeiras (53%), não conseguir identificar se um boleto é verdadeiro (45%), buscar informações sobre como os dados ficam guardados em empresas e órgãos públicos (39%) e não compartilhar dados pessoais nas redes sociais (38%).

Por sua vez, as medidas mais adotadas para se proteger e evitar novos golpes são: fazer compras somente em locais confiáveis (43%), pesquisar sobre a reputação das lojas em sites de reclamação e redes sociais (41%), não compartilhar dados pessoais nas redes sociais (38%) e não responder a e-mails ou telefonemas que solicitam informações pessoais como senhas, número de cartão ou de conta bancária (38%).

Perfil das vítimas: maioria mora no Sudeste com idade média de 37 anos

As vítimas de fraudes financeiras estão distribuídas quase que igualmente entre mulheres (53%) e homens (47%). A média de idade de 37 anos. Considerando a renda familiar, os entrevistados estão divididos em três intervalos principais: 23% ganham de R$ 999,00 a R$ 1.996,00, outros 22% de R$ 2.995,00 a R$4.990,00 e 20,5% recebem de R$ 1.997,00 a R$ 2.994,00. Pouco menos da metade reside no Sudeste (47%) e 23% estão no Nordeste.

Eletrônicos e vestuário lideram o ranking de itens não recebidos. Marketplace é principal canal de venda fraudulenta

Considerando os canais mais comuns para a ocorrência de fraudes, destaca-se a liderança das lojas online (54%). Na sequência aparecem os bancos (9%), as lojas físicas pequenas (8%), as lojas físicas de grande porte (8%) e as financeiras (6%).

Em relação ao não recebimento de produtos comprados, os itens mais mencionados são eletrônicos (35%), seguidos de roupas, calçados e acessórios (31%), cosméticos e perfumaria (13%), eletrodomésticos (12%) e artigos infantis (9%). Nesse caso, os locais de compra mais comuns onde ocorreram as fraudes de não recebimento das compras foram os sites de lojas que vendem produtos diversos como marketplaces, lojas de pessoas físicas online e produtos usados (67%), site próprio de vendas de uma loja (28%), perfil de empresa em rede social (12%) e perfil pessoal em rede social (10%).

Após vivenciar a fraude, 30% tiveram o nome negativado e 52% relatam estresse

Três em cada dez vítimas tiveram o nome negativado (30%) devido a fraude sofrida.  Os problemas decorrentes podem afetar o acesso ao crédito do consumidor, e até mesmo ocasionar consequências emocionais e para a saúde.

Tendo em vista as demais consequências, 52% relatam estresse, 24% precisaram ajustar o orçamento para cobrir prejuízos, 23% perderam tempo regularizando a situação na polícia e órgãos competentes e 16% falam em depressão, ansiedade ou outros problemas psicológicos.

34% ainda não recuperaram nenhuma quantia perdida na fraude; 53% têm esperanças de reaver o valor

Segundo o levantamento, 34% dos consumidores não recuperaram nenhum valor após sofrerem algum tipo de fraude. Por outro lado, seis em cada dez (66%) consumidores que tiveram perdas já conseguiram recuperar uma parte (34%) ou todo o valor perdido (32%). A expectativa em relação à recuperação dos valores perdidos é relatada por 53% das vítimas que não conseguiram resolver a situação, sendo que 44% acreditam na recuperação do valor total. No entanto, 47% já não têm esperanças de reaver a quantia.

Questionados sobre as dificuldades enfrentadas para solucionar a fraude financeira, os entrevistados mencionam a perda de tempo (45%), a burocracia para provar que estavam com a razão (33%), a perda de dinheiro (30%) e o fato de não saber a quem procurar para resolver a situação (27%). A pesquisa ainda mostra que 80% tomaram alguma medida para resolver o problema, principalmente procurar o banco ou a administradora do cartão de crédito (25%), negociar com a empresa que causou a fraude para reaver valores ou reparar danos (23%) e recorrer à polícia através de Boletim de Ocorrência (18%). A própria empresa onde ocorreu a fraude foi a principal instância que contribuiu para resolver o caso (32%), seguida dos órgãos de defesa do consumidor (20%) e da operadora do cartão de crédito (19%).

Metodologia

A pesquisa ouviu 917 pessoas residentes em todas as capitais do país, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos e de todas as classes sociais.  Os dados foram levantados em uma pesquisa conduzida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Baixa a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas.

Fonte: CNDL

CDL Jovem Vitória completa 15 anos.

A CDL Jovem Vitória completa 15 anos de história no mês de agosto. É uma importante marca para a entidade, que se transformou no ambiente ideal para a formação de um grupo forte e unido e que contribui para o avanço do setor varejista na capital. Ao longo desses anos, a CDL Jovem sempre foi uma casa democrática, feita para discutir ideias e projetos visando beneficiar não apenas o comércio, mas toda a capital e seus moradores.

Para o atual presidente da entidade, Márcio Merçoni, a CDL Jovem é um grande espaço de formação de lideranças empreendedoras.

“É muito bom encontrar um local que está aberto para você crescer como pessoa e como empreendedor, que estimula novas relações e aprendizados. A gente percebe o quanto as pessoas estão se desenvolvendo, construindo o seu caminho profissional e pessoal a partir dos aprendizados que adquirem nesse espaço. Além disso, A CDL Jovem é de extrema importância para fomentar as bases do associativismo”, destacou.

Segundo o empresário, a CDL Jovem mudou a sua vida. “Mudou no sentido de eu estar mais conectado com um ambiente de mudança da sociedade, de estar em um espaço de trabalho, de luta, de afirmação daquilo que acredito e daquilo que busco como um ponto de melhoria para a sociedade. É um espaço que engrandece a nossa vida de forma geral”, afirmou.

Merçoni acrescentou que a CDL Jovem é um importante braço institucional da CDL Vitória. “A CDL Jovem dá o tom do que será o futuro do varejo”.

COMO PARTICIPAR: As reuniões da CDL Jovem Vitória são realizadas na primeira quarta-feira de cada mês, às 19 horas, na sede da CDL Vitória, na Avenida Governador Bley, 155, Centro.

QUEM PODE PARTICIPAR: Podem participar jovens de 18 a 38 anos que tenham potencial para atividades empresariais e que façam parte de empresas dos ramos de comércio e serviços.

Mais informações:  cdljovem@cdlvitoria.com.br.

Siga nosso Instagram cdljovem_vitoria e fique por dentro dos nossos eventos.

Oito em cada dez brasileiros estão dispostos a adotar mais práticas de consumo colaborativo, revela estudo CNDL/SPC Brasil.

Coworking, aluguel de brinquedos e hospedagem de animais de estimação são modalidades que mais despertam interesse dos brasileiros; 74% já experimentaram, ao menos uma vez, alguma forma de consumo colaborativo. Confiança ainda é barreira para 45%

O consumo por meio de trocas e compartilhamento vem ganhando espaço no cotidiano dos brasileiros. Enquanto alguns já adotam essas práticas, muitos se veem como futuros adeptos. Um levantamento realizado em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que, em um ano, aumentou de 68% para 81% o número de brasileiros que estão dispostos a adotar mais práticas de consumo colaborativo no seu dia a dia nos próximos dois anos, percentual que se mantém próximo em todas as faixas etárias e classes sociais.

No geral, 74% das pessoas ouvidas já utilizaram ao menos uma vez, ainda que sem frequência definida, alguma modalidade de consumo colaborativo. Para muitos, o consumo compartilhado é um caminho sem volta: 88% dos entrevistados acreditam que essas práticas vêm ganhando espaço na vida das pessoas. E essa mudança de paradigma é impulsionada, principalmente, pelas novas tecnologias. Para 85%, a internet e as redes sociais contribuem para o desenvolvimento de confiança entre os envolvidos nesse tipo de prática.

Na avaliação do educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, a sociedade está, gradativamente, se reinventado em direção a um modelo mais sustentável. “A economia compartilhada une dois propósitos, que é fazer o orçamento render e contribuir para um mundo melhor, a partir do uso racional de bens e serviços. A internet ampliou exponencialmente esse movimento, colocando essas pessoas em contato por meio de sites e aplicativos. Ao mesmo tempo em que parece inovador, consumir de forma compartilhada é uma volta às origens. Bem antes da invenção do dinheiro, era pelo escambo que as pessoas obtinham diversos itens”, explica o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.

Caronas, aluguel de residências e compartilhamento de roupas são modalidades mais usadas; internet e redes sociais contribuem para adoção dessas práticas

De acordo com o levantamento, as modalidades de consumo colaborativo com maior potencial de utilização, ou seja, aquelas que os brasileiros mais reconhecem que poderiam experimentar no futuro, são o coworking, que consistente no compartilhamento do espaço físico de trabalho (61%), o aluguel ou troca de brinquedos (59%) e a hospedagem de animais de estimação na casa de terceiros (59%).

Entre os que já são adeptos de alguma prática, as mais comuns são as caronas para ir ao trabalho, faculdade, passeios ou viagem (42%), o aluguel de residências para curtas temporadas (38%), além do compartilhamento e da locação de roupas (33%).

No geral, 91% dos usuários se dizem satisfeitos com relação às práticas de compartilhamento que já utilizaram. Além disso, a maioria (70%) dos entrevistados já refletiu sobre o tamanho da economia que a prática rende, sendo que 40% consideram grande os recursos poupados.

A internet (55%) e as redes sociais (48%) foram os meios que mais contribuíram para que os interessados conhecessem melhor as práticas de consumo colaborativo. Há ainda um número relevante de 37% de pessoas que contaram com a recomendação de amigos e conhecidos. “A economia colaborativa fortalece o senso de comunidade, contribuindo para um estilo de vida mais sustentável. Trata-se de uma relação de benefício mútuo, em que ambas as partes envolvidas na negociação obtêm algum tipo de retorno, seja o lucro financeiro, a economia de recursos ou a satisfação de uma necessidade”, analisa o educador financeiro Vignoli.

Economia é o que mais atrai adeptos do consumo colaborativo, mas 44% querem contribuir com a sociedade e meio ambiente

A pesquisa mostra que 98% dos brasileiros, sejam eles adeptos ou não, enxergam alguma vantagem na prática do consumo colaborativo, sendo que as principais são a oportunidade economizar dinheiro (45%), evitar o desperdício (44%) e diminuir o consumo excessivo (43%). Outros aspectos positivos são poupar energia e recursos naturais (34%) e poder ajudar outras pessoas (33%).

Quando a pesquisa se detém às pessoas que já experimentaram alguma prática de consumo compartilhado, a chance de economizar dinheiro (57%) foi o que mais pesou na decisão pessoal delas. Outros 44% recorreram a economia colaborativa para contribuir com a sociedade e o meio ambiente, enquanto 33% queriam ajudar as demais pessoas e 29% economizar tempo.

45% reclamam da falta de confiança e 42% entre os que não dariam caronas têm receio de lidar com estranhos

O crescimento do consumo colaborativo no Brasil, contudo, ainda enfrenta barreiras. Na avaliação dos entrevistados, as principais são a falta de confiança entre as pessoas e o medo de serem passados para trás (45%), a falta de informação (43%), o perigo de lidar diretamente com pessoas estranhas (38%) e a ausência de garantias em caso de não cumprimento do acordo (33%).

Além disso, nem sempre é uma tarefa simples compartilhar roupas e outros itens de uso pessoal, assim como a moradia ou o espaço de trabalho com estranhos. São casos que exigem uma boa dose de desprendimento. No caso do consumo compartilhado, os maiores índices de rejeição, ou seja, aqueles itens que os entrevistados possuem, mas jamais dividiriam com outros, estão o compartilhamento de moradia, também conhecido como cohousing (41%), o aluguel de roupas (33%) e de residências para temporadas (32%).

Entre essa parcela que rejeita a possibilidade de compartilhar algum item pessoal, a pesquisa revela que o medo de lidar com estranhos é a principal barreira para dar caronas (42%), assim como para compartilhar o local de moradia (38%). O fato de não gostarem da sensação de dividir o próprio espaço com terceiros é também o que impede o compartilhamento de moradias (26%). Já o receio de que o bem emprestado seja danificado é fonte de preocupação no caso do aluguel de veículos (44%), bicicletas ou patinetes (40%). A incerteza de que as pessoas não devolvam o item emprestado é o que mais afasta as pessoas do aluguel ou compartilhamento de brinquedos (29%), por exemplo.

“O medo do desconhecido continua sendo um problema a ser superado na economia compartilhada, mas assim como a tecnologia proporciona a aproximação de pessoas, ela também vem se aprimorando no quesito segurança. Hoje, muitos sites e aplicativos deste mercado já contam com filtro de reputação, que avalia tanto quem presta o serviço quanto o cliente, seguindo uma série de atributos como pontualidade na devolução, cuidado na utilização, estado de conservação e pagamento. Trata-se de uma interação que exige uma confiança mútua”, avalia o educador financeiro.

62% compraram algum produto usado nos últimos 12 meses; livros, móveis e automóveis lideram ranking

Outro aspecto investigado pela pesquisa é o mercado de compra e venda de usados, que é uma alternativa para gastar menos ou ganhar uma renda extra. De acordo com o levantamento, em cada dez consumidores, seis (62%) compraram algum produto usado nos últimos 12 meses. Dentre esses clientes, a maioria (96%) ficou satisfeita com a compra.

A tecnologia também vem facilitando as formas de contato entre compradores e vendedores de produtos de segunda-mão, permitindo negociações rápidas e seguras. A internet é o meio que mais impulsiona esse tipo de compra, principalmente por meio dos aplicativos ou sites especializados (69%) e redes sociais (54%). Outros 46% chegaram a esse mercado por meio de amigos ou conhecidos.

Em alguns casos, é tão mais vantajoso adquirir um produto usado, que essa é a primeira opção do consumidor. De acordo com a pesquisa, 79% dos entrevistados costumam verificar a possibilidade de adquirir um item usado em bom estado antes de comprar um novo. Os que não têm esse hábito somam 21% da amostra. Os itens que ganham destaque são os livros (51%), móveis (50%), automóveis (49%), celulares (49%), eletrônicos (46%) e eletrodomésticos (46%). “Em um período em que muitos enfrentam dificuldades financeiras, essa pode ser uma saída para quem deseja fazer compras a preços acessíveis ou vender objetos que apenas ocupam espaço em casa”, analisa Vignoli.


Metodologia

A pesquisa ouviu 837 consumidores acima de 18 anos, de ambos os gêneros, de todas as classes sociais e que residem nas 27 capitais do país. A margem de erro é de no máximo 3,4 pontos a um intervalo de confiança de 95%. Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas.

Fonte: CNDL